sexta-feira, 30 de setembro de 2016

João Pessoa é o palco da primeira decisão na série C
Botafogo-PB enfrenta o BOA Esporte no Almeidão para se aproximar da série B 2017, já os mineiros sonham em voltar para a segunda divisão nacional depois de série de fracassos


(Foto: Vitor Oliveira / Vozdatorcida.com)

Na noite desta sexta-feira, o coração do torcedor do belo vai bater mais forte por, pelo menos 90 minutos. A primeira partida das quartas de finais da série C começa ás 21 hrs, no Almeidão, contra o Boa Esporte, adversário que tenta amargar o sonho de acesso do Belo rumo à série B do brasileirão em 2017. O time mineiro foi o segundo colocado no grupo B da série C, com apenas 3 derrotas, duas a menos que o time da estrela vermelha.

A partida causa ansiedade no torcedor desde seu anúncio, após o empate em 0 a 0 contra o Fortaleza, que confirmou a terceira colocação do time no grupo A. Entre a partida que credenciou o Bota-PB a disputar a segunda fase e o confronto com o Boa, o time enfrentou um grande desafio. Os comandados de Itamar Schurlle, mediram forças com o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Mesmo vencendo, o time paraibano foi eliminado pelos paulistas. Nada que abale a confiança do torcedor, já que o Belo nunca havia chegado tão longe na competição, além disso o resultado de 1 a 0 para os donos da casa garantiram a invencibilidade do time jogando em suas dependências. [confere análise que fizemos sobre esse confronto]

Por isso, quando a bola rolar hoje, o Botafogo-PB estará fazendo história novamente, em um ano repleto de novidades para a equipe. Desde o título brasileiro da série D, em 2013, o time nunca havia chegado à segunda fase da série C.

Canto pelo acesso

(Foto: Hévilla Wanderley / Globoesporte.com/pb)
Durante o último treino da equipe para enfrentar o Boa Esporte a torcida paraibana invadiu o Almeidão para incentivar o time. Mas os fanáticos do Belo só tiveram acesso às arquibancadas nos 20 minutos finais. O técnico Itamar Schurlle fez mistério sobre o time, imprensa e torcedores só acompanharam um treino de finalização e cobrança de pênaltis. O treinador também não concedeu entrevista coletiva.

Os números animam o torcedor a ir ao estádio. Jogando no Almeidão o Botafogo-PB perdeu apenas uma partida, contra o América-RN pela 15ª rodada da fase de grupos. No mais, das 12 partidas que disputou até agora em competições nacionais, o Belo venceu nove e empatou duas, uma ainda na primeira fase da Copa do Brasil, diante do Linense e a outra na última rodada da fase de grupos da série C, diante do Fortaleza.

O maior reforço para essa partida deve vir mesmo das arquibancadas. Até o momento, já foram vendidos mais de 10 mil ingressos e a diretoria espera que 22 mil torcedores compareçam ao Almeida Filho para o confronto. O número de ingressos vendidos antecipadamente é mais uma novidade conquistada pelo Belo no ano.

BOA motivação

Se os torcedores do belo pretendem fazer muito barulho nas arquibancadas, a torcida do time mineiro vai mandar energias positivas para o time desde Varginha. Ainda hoje, a diretoria anunciou que vai disponibilizar um telão, no centro da cidade mineira para que os torcedores acompanhem a partida decisiva de logo mais. E se de um lado está um Botafogo-PB descobrindo-se, do outro existe um BOA amargurado pelos seguidos rebaixamentos, mas embalado pela fase na série C.

O primeiro descenso do time veio ainda em 2015, na série B daquele ano. Na ocasião, a equipe ficou na 19ª colocação, com apenas 7 vitórias nos 38 jogos disputados. O segundo revés mineiro veio logo no começo de 2016, no campeonato estadual. O time entrou em campo na última rodada precisando vencer o time reserva do Cruzeiro para escapar do rebaixamento, mas o clube perdeu o duelo e a oportunidade de permanecer na primeira divisão estadual, foi rebaixado diante de sua torcida.

(Foto: Régis Melo / Globoesporte.com)
Mas toda tristeza terminou por aí, na série C desse ano o torcedor não tem do que se queixar. Foram 10 vitórias, nos 18 jogos disputados na competição nacional, e apenas três derrotas, uma a mais que o líder do grupo A da competição, o Guarani. Os resultados positivos no ano trouxeram de volta a motivação que o BOA precisava e agora o Botafogo-PB tornou-se o único obstáculo entre o time de varginha e o tão sonhado retorno à série B.

Além da ótima fase, o time mineiro vem de uma série de 10 jogos sem perder na série C, um aproveitamento de 80%, somando 24 pontos em 30 disputados. Outro fator que deixa o torcedor ainda mais confiante é que a decisão do confronto diante do Belo será em Varginha, no estádio Melão, e jogando em casa o BOA está invicto desde o início do campeonato nacional.

Como se não bastasse, os mineiros ainda possuem a melhor defesa entre os dois grupos da série C, tanto que nos 18 jogos disputados, a zaga do BOA foi vazada em apenas 10 ocasiões. O ataque também não fica por baixo, foram 28 gols marcados. Os destaques ficam por conta de Ricardinho, Genesis e Daniel Cruz, juntos eles somam 30 gols nessa temporada.

Nosso segredo

Mesmo com o mistério nos treinos, é possível definir o time pode vai subir as escadas para o gramado, logo mais. A provável escalação deverá contar com o retorno do artilheiro Rodrigo Silva, que esteve fora na partida contra o Palmeiras, assim como o meia Marcinho, recuperado das dores no tornozelo, que o afastaram dos dois últimos compromissos da equipe. O único desfalque deve ficar por conta do volante Sapé, que sente dores no joelho.

Prováveis escalações (FONTE: vozdatorcida.com):

Botafogo-PB: Michel Alves, Gustavo, Plínio, Marcelo Xavier, David Luís; Djavan, Val, Pedro Castro, Marcinho; Carlinhos, Rodrigo Silva. Técnico: Itamar Schulle.

Boa Esporte: Daniel, Juan Melgarejo, Edson Borges, Bruno Maia, Romano; Leonardo, Itaqui, Fellipe Mateus, Tchô; Carlos Renato, Ricardinho. Técnico: Ney da Matta.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O futebol que não podemos esquecer
Série de reportagens conta como o esporte do povo foi utilizado para fortalecer o domínio da ditadura militar na América do Sul



Durante 21 anos, a ditadura militar manchou a história do Brasil de sangue e autoritarismo. O presidente João Goulart foi deposto e em seu lugar o interventor general Castelo Branco assumiu o poder, em 1964. Mas apesar de ser datado em 1º de abril, a opressão promovida pelo regime militar foi bem verdadeira, para a tristeza da democracia e de milhares de brasileiros.

Com o objetivo de garantir a soberania de um governo ilegítimo, os aparelhos do Estado foram utilizados para reprimir com veemência todos aqueles que se opusessem publicamente ao golpe, tornando qualquer opositor um inimigo do país. As decisões infundadas dos militares eram legitimadas através de Atos Institucionais, responsáveis inclusive, pela desintegração do Congresso Nacional. Mas o regime ditatorial não se fez presente apenas no Brasil; Argentina, Chile e Uruguai também atravessaram o que conhecemos como os “Anos de Chumbo”.

Através de um acordo de cooperação estabelecido entre os governos ditatoriais e a Agência de Inteligência Estadunidense (Central Intelligence Agency - CIA), iniciou-se a Operação Condor; aliança criada com o intuito de combater o crescimento das ideias de esquerda nos países do cone sul, a qualquer preço. É impossível calcular quantas vidas foram retiradas pelos ditadores no período em que a Operação Condor esteve em vigor. O silêncio era lei.

Com o fim dos regimes e o início da contabilidade dos prejuízos que os ditadores deixaram nas sociedades sul americanas, o futebol entrou na conta. Era impossível segurar as bocas esbravejando “o regime tirou proveito da seleção brasileira de 70” para engrandecer o domínio militar. Consequentemente, na Argentina, a Copa de 1978 foi marcada por histórias polêmicas e a vitória, ainda mais controversa, dos donos da casa. No Uruguai, o fiasco do Mundialito em 1980 acelerou o processo de redemocratização, alimentado pelo povo em festa que invadiu o gramado do estádio Centenário, em Montevidéu, pedindo o fim da ditadura militar.

Algumas dessas histórias foram contadas na série de reportagens “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, dos canais ESPN. Em quatro capítulos, a série apresenta a relação da ditadura com o futebol durante os anos de repressão e como isso ajudou ou prejudicou o regime militar nesses países. Nos links abaixo, você será direcionado para os episódios.

Memórias do Chumbo - O futebol nos tempos do Condor