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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Quem chegar primeiro leva a Paraíba
Campeonato estadual chega á terceira rodada e já começa a mostrar suas garras


Foto: Globoesporte.com/PB

Foi no sábado (7) que a bola rolou nos gramados da Paraíba dando início a mais uma temporada da elite do futebol estadual. Passados o momento de euforia das estreias e a segunda rodada da competição, já é possível enxergar os primeiros traços do caminho que trilharemos junto aos clubes locais, até o fim de Abril, quando o torneio se encerrará.

A competição será disputada em pontos corridos, com todas as equipes se enfrentando em turno e returno. Ao final dessa primeira fase os quatro mais bem colocados dentre os dez que iniciaram o torneio serão classificados para a disputa das semifinais e consequentemente as finais, ambos em jogos de ida e volta. Ao todo serão 18 datas confirmadas ate as disputas de mata mata.

Na última rodada que aconteceu no domingo (15) a sequencia de resultados modificou e muito a tabela, pondo fim inclusive à inusitada liderança do CSP. Mesmo com baixo investimento, o time venceu as duas primeiras rodadas e frequentava a ponta da tabela até se deparar com um Serrano-PB sedento pela vitória, jogando no Amigão, em Campina Grande, casa do time interiorano no torneio. O jogo de cinco gols deu ao "lobo da serra" a segunda vitória seguida, e consequentemente a quinta colocação na tabela. O ex líder agora é segundo colocado.

No sertão, o Sousa não foi páreo para o Botafogo-PB que precisava vencer para seguir na parte de cima da tabela, após a derrota diante do Atlético em Cajazeiras. O resultado magro de 1 a 0 para o time da capital não correspondeu com o desempenho das equipes na partida. Apesar de abrir o placar, ainda na primeira etapa, com a cabeçada de Rafael Oliveira após cobrança de falta, a segunda etapa foi inteiramente do dinossauro. O domínio do time da casa não foi o suficiente para o empate. A falta de efetividade no setor ofensivo do Sousa manteve a vitória do Belo, deu o terceiro lugar ao visitante, jogou o dino para a zona de rebaixamento e ainda derrubou o técnico Tazinho, que anunciou seu desligamento do clube sertanejo nessa segunda feira (16).

A liderança foi definida ainda no sertão, em Cajazeiras o Atlético dominou o Campinense e venceu por 2 a 0. Os gols foram do atacante Mosquito, que vem chamando atenção nessa edição do campeonato paraibano. O jogador marcou 3 gols até o momento, sendo um diante  do belo e dois no ultimo domingo, os números colocaram o atacante na artilheria da competição ao lado de Augusto, do Campinense e Bruno Paraíba, do CSP.

A rodada contou ainda com o empate em 1 a 1 entre Auto Esporte e Paraíba, resultado que afunda ainda mais o Auto, lanterna do campeonato com apenas 1 ponto marcado, conquistado exatamente nesse confronto. No sábado (14) o Treze venceu o Internacional por 1 a 0 e chegou ao g-4. 

Chegados agora nas informações do campeonato paraibano deste ano, não é justo te deixar por fora do que rolou até aqui. Tentaremos explicar pra você o que aconteceu nessas três rodadas, dentro e fora dos gramados e vamos entender o que aconteceu até o dito pontapé inicial da competição, ainda na pré temporada.

Gênesis

Cap. 1; 1

E Amadeu Rodrigues disse: "que haja data"!
Não houve, de certeza, uma data mas valeu a intensão. Na verdade o campeonato que deveria iniciar em 15 de Janeiro ( Olha só, ontem!) de acordo com a proposta inicial, passou para o dia 8 do mesmo mês e as equipes precisaram acelerar os preparativos. O formato ficou definido logo no início das discussões, 10 times se enfrentando em turno e returno, com os quatro primeiros disputando semifinais e finais. Sem problemas para aqueles que não tiveram calendário extenso em 2016; já para o Botafogo-PB a situação foi um pouco mais delicada. Tanto que o treinador da equipe, Itamar Schulle só comandou treinamentos após o dia 12 de dezembro, menos de 30 dias para a estreia na competição.

Botafogo-PB 


Cap. 1 - No princípio tinha mais que o verbo

O clube da capital já havia eleito seu presidente em 2016, no dia 23 de outubro, e a primeira palavra do novo mandatário sobre o time foi: "Vamos fazer o possível para manter a equipe que superou todas as expectativas nesse ano". A princípio, os meias Marcinho e Raphael Luz, o volante Sapé, o zagueiro Plínio, o goleiro Michel Alves, e o lateral Gustavo tiveram seus contratos renovados, paralelamente o primeiro reforço foi anunciado; foi o atacante Wanderson, que estava na penapolense-SP, Ainda chegaram os volantes Robston e Amarildo, o zagueiro Bruno Maia e o atacante Diogo Campos. Os reforços seguiam chegando e era a vez do lateral Carlos Renato, ex Boa Esporte.
Durante a apresentação do elenco para 2017, que aconteceu dia 2 de dezembro de 2016, mais três reforços foram integrados ao elenco do Belo. O zagueiro Gustavo Henrique, o lateral Gabriel Modesto e o volante Higor Militão, foram as surpresas da festa, já que não haviam sido anunciados previamente. Com a renovação de Warley, o time estava pronto e foi entregue ao treinador Itamar Schulle para só então dar início à pré temporada.

Cap. 2 - Run or Die

Sem muito tempo para marcar amistosos, o Belo teve apenas três datas para avaliar o elenco em jogos treino. O primeiro confronto foi contra um selecionado da cidade de Paulista-PE, depois foi a vez do Serrano-PB e por fim o Santa Cruz- RN, todos vencidos pelo Belo. Sem muito a ser percebido, devido ao baixo nível técnico dos confrontos, chegou a hora da estreia e o time foi naquele "vai que dá certo". No fim deu certo mesmo para o time da estrela vermelha; venceram o Internacional-PB e mesmo sem convencer, fizeram os olhinhos do torcedor brilharem. Digo sem convencer porque o problema do ano passado ainda segue persistindo: o time marca poucos gols! Ano passado o time marcou 24 gols na temporada nacional, esse ano poderia até ser diferente, mas o 1 a 0 sobre o Inter se transformou em alerta total (sirene) com a derrota para o Atlético em Cajazeiras. O resultado positivo sobre o Sousa poderia amenizar a preocupação, mas a pressão do time da casa durante o segundo tempo continua deixando os fãs da equipe preocupados. O Sousa teve ao menos três chances claras de gol, erros que o belo não deve encontrar em seus adversários na serie C ou Copa do Brasil. Em 2016 o time de João Pessoa terminou a terceira divisão com 8 empates, sendo o time que mais empatou na competição, ao lado do ASA-AL.

Atlético-PB

Cap 3 - Falando nele...



O Atlético de Cajazeiras levou a pré temporada para São Paulo (mas o nome permanece, nada de Atlético Paulista por enquanto). Nas terras do sudeste, venceram o Audax, finalista do paulista em 2016 (mas com outro elenco), por 2 a 1 e passou pelo Guarulhos, com um placar de 2 a 0. "De volta para minha terra", o trovão enfrentou o Nacional de Patos e venceu por 3 a 0, por fim veio o Serra Talhada-PE, no Perpetão e venceu mais uma, dessa vez por 2 a 1. Até agora o time do Sertão se mostrou o maior ferrolho do paraibano 2017, podendo tranquilamente ser chamado de porta de cadeia. Perdeu para o Treze na estreia, mas se recuperou e venceu o Belo em casa, saindo com a moral lá em cima (Thug life), após vencer o Campinense no último domingo, os cajazeirenses comemoram a liderança do campeonato. Sensação até o momento, o trovão azul ainda tem um dos artilheiros da competição, dividida para três atletas, cada um com três gols. 
Ah, o Atlético também conta com um torcedor ilustre, o velho Vamp gostou do que viu durante a pré temporada do time paraibano em São Paulo e mandou aquele tapinha seguido de um beijo no escudo. Veja.

Sousa

Cap 4 - Água de Chuchu

Depois de tanto ver reforços chegando o torcedor sousense esperava muito mais de seu time. O atacante André Cassaco chegou à cidade do sertão, assim como o goleiro Pantera, os experientes Josy e Tiago Marabá, atacante e meio campo, respectivamente. O time também já tem classificação para a Série D do campeonato brasileiro já garantida nesse 2017, mas na prática o time se mostrou um Chuchu. Sabe a verdura, Chuchu? Então, o Sousa nem apresenta uma marcação forte, muito menos qualquer tipo de efetividade no ataque. Empatou sem gols com o rival cajazeirense no derby do sertão e em 1 a 1 com o Campinense no Marizão, que mais parece mesmo pasto para dinossauro. E como se não bastasse, a derrota para o Botafogo-PB ainda jogou o time na zona de rebaixamento, com 2 pontos conquistados, na frente apenas do Auto Esporte. Longe de ser um Tiranossauro, o time do sertão precisa encontrar um padrão de jogo rapidamente para não ser devorado por outras feras desse ecossistema futebolístico.

ATENÇÃO!

Você tá acompanhando Luiza?

Tá acompanhando?

Então presta atenção que agora vem a melhor parte



Campinense

Cap 5 - O maior São João do Mundo

"Cai cai balão, cai cai balão, cai aqui para a Raposa
Não cai aí não, não cai aí não, não cai aí não, esse aí é o PV"

Ainda bem que não sou compositor!
Mas a musiquinha tem razão. A ordem na casa da raposa era de manter o elenco campeão do paraibano de 2016 e finalista da Copa do Nordeste. Noves fora as negociações, como a do atacante Rodrigão, por exemplo, ainda no ano passado, só um atleta faltava ser reintegrado ao elenco: Roger Gaúcho. Tão jogador quanto o Roger Flores e farreiro quanto o Renato Gaúcho, o anfíbio proveniente dessa união não agradava mais à diretoria (leia ouvindo essa música). Roger vai para o futebol da Coréia do Sul e para o seu lugar a diretoria da raposa caçou Marcos Paulo, meia que estava no Moto Club do maranhão. Mas e a musiquinha? O que tem a ver? Cara, a música na verdade é para o maior imbróglio do futebol paraibano nos últimos tempos. Mas antes deixa só eu te dizer que o Campinense apostou todas as fichas no atacante Ronan, campeão e craque do Campeonato amazonense, onde jogou pelo Fast. Ainda na pré temporada, mais precisamente no primeiro treino com bola, o jogador rompeu o ligamento cruzado e vai ficar pelo menos seis meses fora. 

Cap 6- Marcelinho Brasil

Nessa novela até Talía, atriz principal das sagas Maria do Bairro, Maria Mercedes e Marimar, roeria todas as unhas. Uma história digna de uma explicação no whatsapp semelhante à que a menina fez sobre o seriado das Kardashians para a amiga Luíza (veja aqui - Entendeu a referência lá em cima?). Marcelinho Paraíba, natural de Campina Grande, 39 anos, estava preparado para assinar com o Campinense. O jogador viajou até a terra de Jackson do pandeiro e acertou todos os valores com o clube, a diretoria anunciou a contratação durante um almoço (reportagem), mas faltava um detalhe; (olha a referência de novo) Luíza: o atleta tinha vínculo contratual com o Inter de Lages- SC até o fim de 2017, portanto o Campinense deveria negociar os valores de transferência também com o clube catarinense; não o fez e ainda estipulou um prazo para que Marcelinho resolvesse o desligamento com o Inter. (você está acompanhando não é Luiza?)
Aí já viu, era óbvio que o prazo seria estourado. Era óbvio que daria errado. Era óbvio que o jogador só deveria ser anunciado após resolver sua situação com o time com quem tinha contrato. Era óbvio que ele não ficaria sem jogar em Campina Grande, como desejava. O Campinense voltou atrás na negociação (e aí entra Marcos Paulo, contratado para o lugar de Marcelinho Paraíba/ Roger Gaúcho) e então chegou outro na jogada! O Treze encontrou Marcelinho louco pra jogar em sua cidade natal, com situação contratual resolvida com o Inter de Lages, definiu valores e levou o cara!



Treze

Cap 7 - Ler ouvindo essa música aqui

Mas o fura olho não teve vida fácil. Mesmo com o balão sobre o rival de cidade, faltava ainda construir o restante do elenco. A tarefa mais árdua era convencer outros atletas de bom nível futebolístico à integrar um time que só vai disputar o estadual esse ano. Encontrou o veterano Otacílio Neto (Ex- Grêmio Barueri, que também é um ex-clube de futebol), o zagueiro Léo Kanu, o atacante Dico e assim saiu o time. A temporada começou e o chapeleiro maluco de Campina Grande venceu o Atlético de Cajazeiras, mas não demorou muito para os problemas no time serem percebidos, o meio campo apresenta grandes espaços. A marcação se posiciona mal, apesar da boa capacidade de recuperação, mas o peso da média de idade elevada fica exposto na falta de velocidade da equipe para transitar entre ataque e defesa. Essas características ficaram visíveis nos resultados. Na segunda rodada perdeu para o CSP por 1 a 0, e mesmo na recuperação do último domingo, quando venceu o Internacional-PB, a falta de gols deixou claro que o time é lento demais para surpreender o adversário nos ataques. 

CSP


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Cap 8 - Bonde do Tigrão

Semelhante ao grupo de funk do início dos anos 2000, o tigre da capital estava quase esquecido, sequer era citado durante as contratações, mas chegou de repente e fez sucesso. Na partida diante do Auto Esporte, o CSP saiu perdendo, mas passou o cerol na mão e foi buscar o placar. Muito mais ofensivo que o adversário, o CSP apresentou um ataque rápido e efetivo, surpreendendo o autinho. A segunda missão era encarar o Treze no Almeidão. Parecia difícil o modesto elenco da equipe azulina vencer o time de Marcelinho, Otacílio e companhia; mas não é que venceu? O justo resultado de 1 a 0 deixou o CSP na liderança. O sonho durou pouco e a terceira rodada fez o tigre do litoral chorar por sua tchutchuca: a liderança. O azulino perdeu para o Serrano-PB, num resultado ainda mais inusitado que a antiga posição do CSP; 3 a 2 para o lobo da serra e a segunda colocação como consolação (poderia ficar fora do g-4). Vale lembrar ainda que o tigre possui um presidente-treinador, quase um manager, "pôfexô", o que pode atrapalhar o andamento do clube no campeonato pelo acúmulo de funções do mandatário.

Auto Esporte

Cap 9 - Cara, é sério: abre o olho!

O Auto segue depositando todas suas fichas em Fábio Bilica. O time estreou mal, apresenta um futebol à baixo do esperado para a grandeza das cores e é forte candidato ao rebaixamento. Foram duas derrotas seguidas, todas por 2 a 1. A primeira foi para o CSP no CT Ivan Tomaz e a segunda para o Serrano no Amigão, em Campina Grande. Na última rodada contra o também ruim das pernas, Paraíba, foi a vez de empatar e garantir o único ponto do time até o momento.
A espera por Bilica vai ser encerrada em breve, já que o jogador apareceu no BID no primeiro da janela de transferências internacionais, quinta-feria, 12, mas ainda como atleta do Campinense, só durante a semana poderá ser regulamentado e estrear com a camisa do Auto Esporte.
Mas calma, Bilica não vai jogar no Campinense, deixa eu explicar essa história. É que o jogador ainda estava vinculado ao Elazigspor, da Turquia, e portanto deveria ser transferido na janela internacional, mas o Auto Esporte não possui cadastro no International Tranfers Matching System, ITMS, que significa Sistema de Correspondência de Transferência Internacional, utilizado pela FIFA para realizar esse tipo de transição. A recisão de contrato entre Bilica e o Campinense inclusive já saiu no BID da CBF nesta sexta-feira, o que trás ainda mais esperanças à diretoria do Auto em poder contar com o zagueiro já durante a semana, na roda da que acontece na quarta-feira (18).
Enquanto isso o Auto Esporte é o lanterna do paraibano com três derrotas.

Não levem a mal, mas... Já compraram o caixão

Serrano

Cap. 10 - Doces para toda a família

O time do interior iniciou o campeonato ganhando um chocolate de presente do Campinense. Ainda esperando quatro reforços que chegam pelo mesmo caminho que Bilica no Auto Esporte, o novato é o quinto na tabela de classificação depois de ter vencido o Auto, na última quarta-feira, e ter surpreendido o CSP, no último domingo. Mesmo com a chegada dos atletas, o Serrano continua sendo forte candidato ao rebaixamento, podendo perder esse título apenas para o Paraíba, que tenta garantir sua vaga na série B do estadual com todas as forças.

Paraíba

Cap. 11 - O time, não o estado!

Parecia que ia! O Paraíba contratou, fez peneira, comprou ônibus bonitão, mas ficou devendo no futebol. Um empate diante do Sousa em Cajazeiras e uma derrota para o Internacional-PB no Almeidão, em João Pessoa. Como se não bastasse, o empate frente ao Auto Esporte ficou de bom tamanho para o time sertanejo. Falta muito para o Paraíba dentro de campo. O time peca nas transições entre ataque e defesa, sempre com uma lentidão ímpar, e ainda é ineficaz naquilo que se propõe a fazer: sair em contra ataque. É hora de avaliar taticamente o elenco e optar por posicionamentos que favoreçam as características de cada profissional, para ao menos justificar o investimento.

Internacional-PB

Cap 12 - 

O Inter é quase o mesmo que chegou à elite do futebol estadual, sem muitas chegadas ou partidas. O time perdeu para o Botafogo-PB na estreia mas se recuperou diante do Paraíba e mesmo perdendo para o Treze, o time assumiu o sétimo lugar na tabela e pelo futebol que apresenta está no lugar certo. O clube realizou investimentos modestos e apostou no entrosamento do elenco para se manter na elite da Paraíba, algo que não parece distante.

É isso Luiza!

Brincadeiras à parte, alguns precisam abrir os olhos para fugir da queda, outros para brigar por títulos. A atenção nesse momento crucial é o fator mair importante para um campeonato de pontos corridos, onde um resultado simples de 1 a 0 pode custar a liderança e posteriormente, nas semi finais, até mesmo a campanha. Ainda é cedo para cravar algo, a brincadeira é te fazer divertir e entender o nosso maior campeonato do estado! Times maiores, outros menores, uns dão vexame, outros mantem um padrão e nesse jogo de estratégias vence quem for mais eficiente. Nada de sorte! A qualidade é o que estar sendo lançada e o melhor, sem dúvidas, vencerá.

Bom paraibano para todos nós!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Emily Lima assume o comando da seleção feminina
Treinadora faz história como primeira mulher a dirigir a time nacional e espera participar ativamente da fase de mudanças no futebol feminino brasileiro




Na manhã desta quinta-feira (3) a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou oficialmente a técnica do São José, Emily Lima, como a nova treinadora da seleção de futebol feminino. Apesar de jovem, 34 anos apenas, a treinadora já teve experiência à frente da seleção. Em 2013, ela comandou as seleções femininas sub- 15 e sub-17. Recentemente dirigiu o São José, onde foi vice-campeã do Brasileirão feminino em 2015 e da Copa do Brasil desse ano.

Emily foi anunciada como treinadora da seleção logo após a demissão do técnico Vadão, nesta terça-feira (1). O treinador estava no comando do time brasileiro desde 2014, quando conquistou o Torneio Internacional de Futebol Feminino de Manaus, feito que repetiu no ano seguinte. Ele ainda conquistou a medalha de ouro no pan-americano de Toronto, ainda em 2015, e apesar do desempenho abaixo do esperado nos jogos do Rio 2016, foi indicado como candidato a melhor treinador do ano pela Fifa.

Primeira mulher na história do Brasil a treinar uma seleção principal, Emily garantiu a permanência das jogadoras Marta e Cristiane no projeto para a renovação da seleção. “Desejo muito que Marta e Cristiane continuem no projeto da seleção. Acredito muito nas meninas mais novas, mas precisamos nos renovar com cautela”, disse a treinadora durante a apresentação.

Emily jogou em times como São Paulo e Santos, antes de ser transferida para a Europa, em 2001. No velho continente, atuou sete anos na Espanha e um na Itália, quando jogou no Napoli, clube onde encerrou a carreira. Em 2011, integrou-se à comissão técnica da Portuguesa e no mesmo ano foi contratada como treinadora pelo Juventus-SP.

O primeiro desafio da comandante é no Torneio Internacional de Manaus, que acontece em dezembro, na capital Amazonense.

Opinião

Emily Lima é mais que um sopro (um vendaval) de modernidade nos campos do Brasil. Mesmo que ainda não tenha definido um modelo de jogo, é provável que adote a tradicional defesa em linha e ataque com três jogadoras, favorecendo o estilo de jogo ofensivo; a cara dela. Mas a representação de moderno que descrevo aqui não se trata do que acontece dentro das linhas de jogo e sim o que vem de fora: Emily é um “xô” ao preconceito.

Embora não se sinta à vontade (e nem deveria) de tomar para si a responsabilidade de abrir caminhos para outras mulheres, a simples presença dela o faz. Devemos reconhecer que a participação delas no comando de equipes esportivas é muito restrita, portanto, só em deixar a figuração e assumir o posto máximo da comissão técnica de futebol feminino representa uma significativa mudança no esporte nacional.

Em entrevista ao site Trivela.com, a agora comandante da seleção feminina falou sobre o desinteresse das atletas em seguirem no futebol, mesmo depois das aposentadorias. Para ela, o baixo investimento financeiro na modalidade faz com quem as atletas se dediquem à estudos em outras áreas, sendo cada vez mais afastadas do futebol.

“Essas meninas trabalham por 12, 14 anos, algumas até mais, com todas as dificuldades que o futebol feminino tem. E depois ela ainda vai querer continuar nesse meio, sendo que pode estudar paralelamente, fazer faculdade e buscar sua vida em outra coisa? Então eu acho que é um pouco das duas coisas. A falta de incentivo das federações e da CBF em capacitar as treinadoras, as ex-atletas em si, e o desinteresse também. É 50% de cada um”, contou a treinadora.

E esse parece ser o legado de Emily no comando da seleção: auxiliar o desenvolvimento de profissionais mulheres para o futebol. Tanto que, em suas entrevistas como técnica do time feminino ela deixou claro o interesse em estar próxima do técnico da seleção masculina, Tite. Ela espera aproveitar da vasta experiência do treinador para alavancar o futebol feminino.

“Uma das perguntas que fiz ao presidente foi se eu poderia trocar ideias com o Tite. Eu já vinha pensando nisso, eu gostaria de estagiar com ele no Corinthians, mas não pude na época. Hoje, mais próxima, eu espero que isso aconteça, pois vai engrandecer muito meu trabalho. Admiro demais o Tite como pessoa e como profissional”, contou a treinadora durante a coletiva de apresentação.

Por isso a missão dela é bem maior que simplesmente conquistar títulos. Para aumentar um pouco mais a pressão, o primeiro desafio de Emily poderia ser mais simples, não fosse o resultado de Vadão na competição. O antigo treinador deixa o bicampeonato no torneio como legado e isso pode gerar algumas situações embaraçosas nesse primeiro momento da treinadora no comando da equipe.

Ainda na entrevista ao Trivela.com, a treinadora foi firme ao avaliar a diferença no tratamento dado aos treinadores homens em relação às mulheres.  “O homem não precisa provar que é capaz de ser técnico, a gente precisa a cada dia”, desabafou.



De fato, a jovem treinadora que possui apenas cinco anos de carreira não tem a obrigação de provar nada a ninguém. Caso entenda isso antes do Torneio Internacional ela pode começar a mostrar a força do seu trabalho ainda em Manaus, dois meses após assumir o cargo de treinadora. Mas mesmo as pessoas mais tranquilas sentem a pressão e a força da comparação, isso sem falar no preconceito que recai sobre seus ombros e o peso de representar todas as mulheres brasileiras no futebol.

Porém, é natural que essa nuvem negativa pouse sobre a cabeça da técnica da seleção pelo menos nesse primeiro momento e aí entra a hora de ter paciência. Não restam dúvidas da capacidade e do potencial de alguém que rompeu barreiras para fazer sua competência ser reconhecida. Emily é hoje o que o futebol precisa, masculino e feminino, o novo, e como treinadora do São José mostrou-se preparada para estar à beira do gramado.

Ainda dia 1 de novembro, data do anúncio do nome de Emily Lima como treinadora da seleção, a CBF anunciou uma série de mudanças para o campeonato brasileiro da modalidade ainda para 2017, a principal delas foi a distribuição das equipes em duas divisões e um calendário mais extenso. Além disso, a Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol), determinou que a partir de 2018, manter equipes femininas será requisito para os times masculinos classificados para a Libertadores da América. A ideia é realizar o torneio masculino e feminino no mesmo período.


O futebol feminino passa a ser enxergado como um negócio promissor, ganha regularidade, acabando com a dúvida quanto à realização do campeonato nacional. Se a treinadora é símbolo da luta da mulher por espaço, só elas poderão dizer. Mas podemos afirmar que o futebol feminino enxerga dias melhores e voa para o futuro sob o comando delas. Comparecer aos jogos é, mais do que nunca, obrigação. Conquistar títulos é um mero detalhe. A única conquista que queremos é que as meninas boleiras do Brasil possam viver daquilo que gostam: o futebol. Já seria bom demais.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sorteio definiu adversários de paraibanos na Copa do Nordeste 2017
Campinense terá a missão de segurar o atual campeão e Botafogo-PB vai encarar América-RN e Vitória



Na noite desta terça feira (4), o torcedor nordestino assistiu ao sorteio que definiu os grupos da Copa do Nordeste 2017. O evento aconteceu em João Pessoa e foi apresentado ao vivo para todo o Brasil pelo Esporte Interativo, empresa dona dos direitos de transmissão do torneio, diante da imprensa local e regional, além dos cartolas do futebol nordestino.

Os dois representantes da paraíba terão caminhos bem diferentes na Copa do Nordeste 2017. O Botafogo-PB compôs o grupo E, junto com o Sergipe, Vitória e América-RN. Já o Campinense ficou no grupo A, junto com Santa Cruz e Náutico, que ainda possui uma vaga em aberto, deixada pelo Uniclinic, representante do estado do Ceará.




Noite de premiação

Junto com a plateia estavam os atacantes do Santa Cruz, Keno e Grafite, os dois foram premiados pelo desempenho na edição desse ano como revelação e craque do campeonato, respectivamente. Outro que também recebeu prêmio foi o atacante do Campinense, Rodrigão. O jogador não compareceu à cerimônia, mas em vídeo, agradeceu ao clube rubro negro e aos torcedores pelo título de artilheiro da competição.

Ainda no sorteio o diretor de competições da CBF, Manoel Flores, anunciou oficialmente o pedido de desistência do Uniclinic. O time cearense foi o vice-campeão estadual de 2016 e, portanto, classificado para o Nordestão, mas alegou problemas financeiros e terá o pedido de desistência analisado pelo órgão que administra o futebol nacional.




Opinião

Apesar da indefinição da última vaga do grupo A, já é possível enxergar um caminho mais rochoso para o Campinense que para o Botafogo-PB, não por considerar os adversários do time da capital mais fáceis que os do rubro negro, mas por reconhecer os momentos distintos que separam os dois clubes.

Enquanto o Belo vive um romance com a torcida e principalmente com a bola, o time de Campina Grande vem de declínio e desclassificação. É bem verdade que o desempenho na Copa do Nordeste e o título paraibano ainda permitam o torcedor de acreditar, mas quando fechou os olhos deu de cara com o algoz do torneio dessa edição.

Apesar do momento do Santa Cruz ser de declínio no campeonato brasileiro, jogadores que foram cruciais para o atual título do time pernambucano ainda possuem contratos vigentes e dificilmente haverá muitas percas para a próxima temporada. Já o Campinense terá que montar um elenco e embarcar rumo ao desconhecido. Desprezando a pré-temporada, o Santa chega com a base do elenco de dois anos atrás enquanto o Rubro negro chega mais verde, precisando de ajustes. Talvez embale venha mesmo no paraibano, com chances de bicampeonato.

Outro problema para o Campinense é o crescente momento do Náutico na série B. O Timbu já enxerga o G4 e o acesso, tudo isso em uma campanha relâmpago depois da chegada do comandante, Givanildo Oliveira. O rei do acesso, venceu quatro jogos seguidos e já soma seis partidas invicto no comando do Náutico. É provável que ainda sofra algumas derrotas até que a equipe vermelha e branca se estabilize na tabela. Talvez o Náutico fique de fora da série A em 2017, mas esse momento serve de moldura para exibir uma equipe forte que, provavelmente, será repetida na próxima temporada. Olho neles, raposa.

Já o Belo enfrentará o Sergipe, time que apesar de sagrar-se campeão estadual não conseguiu subir para a série D e terá que se classificar novamente para o brasileiro através do estadual. O clube sergipano pode surpreender na próxima temporada, apresentando um time tão forte quanto o de 2016, mas é possível que à essa altura o Botafogo-PB esteja reforçado e preparando-se para uma temporada difícil, seja na novíssima experiência da série B ou na missão de reconquistar o torcedor por não ter chegado à segunda divisão nacional. Esse confronto não deve ter surpresas, o Belo chega mais forte.

Por outro lado, nessa temporada, o América-RN tirou a invencibilidade do Belo jogando no Almeidão. Até enfrentar o dragão, o clube da estrela vermelha ainda não havia perdido jogando em João Pessoa por competições nacionais (série C e Copa do Brasil). Além disso, o América-RN está devendo o acesso à série B a seu torcedor, além do título estadual, conquistado esse ano pelo rival ABC. Portanto, podemos esperar um América-RN mordido, mas possivelmente, ainda em fase de desenvolvimento. Enxergo o Belo vitorioso, graças à continuidade do trabalho desenvolvido nessa temporada, associado à permanência de peças importantes no elenco.

Por fim, o grande pesadelo do Bota-PB deve ser mesmo o time do Vitória. O rubro negro baiano segue firme na primeira divisão e deverá contar com os atacantes Kieza e Zé Love, pelo menos até o fim dos estaduais. O time paraibano pode encontrar nessa partida a maior dificuldade da fase de grupos, já que esse duelo poderá definir os dois combatentes que seguirão firmes na competição.


Pode acontecer o que previ ou exatamente ao contrário, o fato é que a sorte está lançada e o time com o melhor planejamento certamente irá levar a competição e consequentemente, a vaga na Copa Sulamericana. Só nos resta torcer para que os representantes da Paraíba encantem e possam conquistar o direito de defender as cores do estado diante de forças do futebol da América do Sul. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

João Pessoa é o palco da primeira decisão na série C
Botafogo-PB enfrenta o BOA Esporte no Almeidão para se aproximar da série B 2017, já os mineiros sonham em voltar para a segunda divisão nacional depois de série de fracassos


(Foto: Vitor Oliveira / Vozdatorcida.com)

Na noite desta sexta-feira, o coração do torcedor do belo vai bater mais forte por, pelo menos 90 minutos. A primeira partida das quartas de finais da série C começa ás 21 hrs, no Almeidão, contra o Boa Esporte, adversário que tenta amargar o sonho de acesso do Belo rumo à série B do brasileirão em 2017. O time mineiro foi o segundo colocado no grupo B da série C, com apenas 3 derrotas, duas a menos que o time da estrela vermelha.

A partida causa ansiedade no torcedor desde seu anúncio, após o empate em 0 a 0 contra o Fortaleza, que confirmou a terceira colocação do time no grupo A. Entre a partida que credenciou o Bota-PB a disputar a segunda fase e o confronto com o Boa, o time enfrentou um grande desafio. Os comandados de Itamar Schurlle, mediram forças com o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Mesmo vencendo, o time paraibano foi eliminado pelos paulistas. Nada que abale a confiança do torcedor, já que o Belo nunca havia chegado tão longe na competição, além disso o resultado de 1 a 0 para os donos da casa garantiram a invencibilidade do time jogando em suas dependências. [confere análise que fizemos sobre esse confronto]

Por isso, quando a bola rolar hoje, o Botafogo-PB estará fazendo história novamente, em um ano repleto de novidades para a equipe. Desde o título brasileiro da série D, em 2013, o time nunca havia chegado à segunda fase da série C.

Canto pelo acesso

(Foto: Hévilla Wanderley / Globoesporte.com/pb)
Durante o último treino da equipe para enfrentar o Boa Esporte a torcida paraibana invadiu o Almeidão para incentivar o time. Mas os fanáticos do Belo só tiveram acesso às arquibancadas nos 20 minutos finais. O técnico Itamar Schurlle fez mistério sobre o time, imprensa e torcedores só acompanharam um treino de finalização e cobrança de pênaltis. O treinador também não concedeu entrevista coletiva.

Os números animam o torcedor a ir ao estádio. Jogando no Almeidão o Botafogo-PB perdeu apenas uma partida, contra o América-RN pela 15ª rodada da fase de grupos. No mais, das 12 partidas que disputou até agora em competições nacionais, o Belo venceu nove e empatou duas, uma ainda na primeira fase da Copa do Brasil, diante do Linense e a outra na última rodada da fase de grupos da série C, diante do Fortaleza.

O maior reforço para essa partida deve vir mesmo das arquibancadas. Até o momento, já foram vendidos mais de 10 mil ingressos e a diretoria espera que 22 mil torcedores compareçam ao Almeida Filho para o confronto. O número de ingressos vendidos antecipadamente é mais uma novidade conquistada pelo Belo no ano.

BOA motivação

Se os torcedores do belo pretendem fazer muito barulho nas arquibancadas, a torcida do time mineiro vai mandar energias positivas para o time desde Varginha. Ainda hoje, a diretoria anunciou que vai disponibilizar um telão, no centro da cidade mineira para que os torcedores acompanhem a partida decisiva de logo mais. E se de um lado está um Botafogo-PB descobrindo-se, do outro existe um BOA amargurado pelos seguidos rebaixamentos, mas embalado pela fase na série C.

O primeiro descenso do time veio ainda em 2015, na série B daquele ano. Na ocasião, a equipe ficou na 19ª colocação, com apenas 7 vitórias nos 38 jogos disputados. O segundo revés mineiro veio logo no começo de 2016, no campeonato estadual. O time entrou em campo na última rodada precisando vencer o time reserva do Cruzeiro para escapar do rebaixamento, mas o clube perdeu o duelo e a oportunidade de permanecer na primeira divisão estadual, foi rebaixado diante de sua torcida.

(Foto: Régis Melo / Globoesporte.com)
Mas toda tristeza terminou por aí, na série C desse ano o torcedor não tem do que se queixar. Foram 10 vitórias, nos 18 jogos disputados na competição nacional, e apenas três derrotas, uma a mais que o líder do grupo A da competição, o Guarani. Os resultados positivos no ano trouxeram de volta a motivação que o BOA precisava e agora o Botafogo-PB tornou-se o único obstáculo entre o time de varginha e o tão sonhado retorno à série B.

Além da ótima fase, o time mineiro vem de uma série de 10 jogos sem perder na série C, um aproveitamento de 80%, somando 24 pontos em 30 disputados. Outro fator que deixa o torcedor ainda mais confiante é que a decisão do confronto diante do Belo será em Varginha, no estádio Melão, e jogando em casa o BOA está invicto desde o início do campeonato nacional.

Como se não bastasse, os mineiros ainda possuem a melhor defesa entre os dois grupos da série C, tanto que nos 18 jogos disputados, a zaga do BOA foi vazada em apenas 10 ocasiões. O ataque também não fica por baixo, foram 28 gols marcados. Os destaques ficam por conta de Ricardinho, Genesis e Daniel Cruz, juntos eles somam 30 gols nessa temporada.

Nosso segredo

Mesmo com o mistério nos treinos, é possível definir o time pode vai subir as escadas para o gramado, logo mais. A provável escalação deverá contar com o retorno do artilheiro Rodrigo Silva, que esteve fora na partida contra o Palmeiras, assim como o meia Marcinho, recuperado das dores no tornozelo, que o afastaram dos dois últimos compromissos da equipe. O único desfalque deve ficar por conta do volante Sapé, que sente dores no joelho.

Prováveis escalações (FONTE: vozdatorcida.com):

Botafogo-PB: Michel Alves, Gustavo, Plínio, Marcelo Xavier, David Luís; Djavan, Val, Pedro Castro, Marcinho; Carlinhos, Rodrigo Silva. Técnico: Itamar Schulle.

Boa Esporte: Daniel, Juan Melgarejo, Edson Borges, Bruno Maia, Romano; Leonardo, Itaqui, Fellipe Mateus, Tchô; Carlos Renato, Ricardinho. Técnico: Ney da Matta.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O futebol que não podemos esquecer
Série de reportagens conta como o esporte do povo foi utilizado para fortalecer o domínio da ditadura militar na América do Sul



Durante 21 anos, a ditadura militar manchou a história do Brasil de sangue e autoritarismo. O presidente João Goulart foi deposto e em seu lugar o interventor general Castelo Branco assumiu o poder, em 1964. Mas apesar de ser datado em 1º de abril, a opressão promovida pelo regime militar foi bem verdadeira, para a tristeza da democracia e de milhares de brasileiros.

Com o objetivo de garantir a soberania de um governo ilegítimo, os aparelhos do Estado foram utilizados para reprimir com veemência todos aqueles que se opusessem publicamente ao golpe, tornando qualquer opositor um inimigo do país. As decisões infundadas dos militares eram legitimadas através de Atos Institucionais, responsáveis inclusive, pela desintegração do Congresso Nacional. Mas o regime ditatorial não se fez presente apenas no Brasil; Argentina, Chile e Uruguai também atravessaram o que conhecemos como os “Anos de Chumbo”.

Através de um acordo de cooperação estabelecido entre os governos ditatoriais e a Agência de Inteligência Estadunidense (Central Intelligence Agency - CIA), iniciou-se a Operação Condor; aliança criada com o intuito de combater o crescimento das ideias de esquerda nos países do cone sul, a qualquer preço. É impossível calcular quantas vidas foram retiradas pelos ditadores no período em que a Operação Condor esteve em vigor. O silêncio era lei.

Com o fim dos regimes e o início da contabilidade dos prejuízos que os ditadores deixaram nas sociedades sul americanas, o futebol entrou na conta. Era impossível segurar as bocas esbravejando “o regime tirou proveito da seleção brasileira de 70” para engrandecer o domínio militar. Consequentemente, na Argentina, a Copa de 1978 foi marcada por histórias polêmicas e a vitória, ainda mais controversa, dos donos da casa. No Uruguai, o fiasco do Mundialito em 1980 acelerou o processo de redemocratização, alimentado pelo povo em festa que invadiu o gramado do estádio Centenário, em Montevidéu, pedindo o fim da ditadura militar.

Algumas dessas histórias foram contadas na série de reportagens “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, dos canais ESPN. Em quatro capítulos, a série apresenta a relação da ditadura com o futebol durante os anos de repressão e como isso ajudou ou prejudicou o regime militar nesses países. Nos links abaixo, você será direcionado para os episódios.

Memórias do Chumbo - O futebol nos tempos do Condor

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Entre tapas e beijos
Seleção brasileira enfrenta o Iraque nas Olimpíadas e decepciona mais uma vez o torcedor


Em mais uma tentativa de recuperar o apoio do torcedor brasileiro, a seleção de futebol masculina enfrentou o Iraque na noite de ontem (7), no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mas o que devia ser a redenção do time comandado por Neymar, acabou se tornando um agravante na briga entre torcida e seleção após o empate sem gols.

Apesar de dominar a posse de bola durante o jogo (69% contra 31% dos iraquianos), a seleção errou incontáveis passes, finalizou mal e ainda teve que lidar com as vaias vindas das arquibancadas. Renato Augusto foi o alvo principal da fúria do torcedor. O volante não jogou bem e errou vários passes, além de perder uma chance clara de gol, aos 47 minutos do segundo tempo.

Por falar em gols perdidos, o time finalizou 20 vezes durante a partida, mas só seis foram em direção ao gol defendido por Hameed. Já o time iraquiano finalizou apenas seis vezes, mas deu trabalho ao goleiro Weverton em quatro delas. O número de faltas também foi alto. O Brasil cometeu 16 e o Iraque 17 infrações, o que fez o árbitro distribuir oito cartões amarelos durante o jogo, sendo três para a seleção da casa e cinco para os adversários.

Com o empate no placar, Brasil e Iraque empatam também em número de pontos, dois para cada. Agora o Brasil enfrenta uma situação delicada na competição. A equipe de Rogério Micale precisa vencer a seleção da Dinamarca, líder do grupo com quatro pontos e ainda torcer para que o Iraque não vença a África do Sul, lanterna do grupo com um ponto.

Crônica
É impossível estabelecer uma definição para as partidas da seleção masculina que não seja a de reconciliação amorosa. A seleção liga, parece que quer voltar, marca o jantar e o torcedor se anima. Mas na hora marcada eles descobrem a verdade: não são mais um para o outro. A seleção tem um temperamento difícil e nem as mudanças em suas escalações conseguem trazer uma estabilidade emocional.

Por outro lado, o torcedor sofre calado. Segue trabalhando, estudando, enfim, segue vivendo. Até se arrisca em outros amores, mas os campeonatos de clubes ficam só como um paliativo e também sofrem bastante por saberem que não são os preferidos. Os torcedores continuam desejando a seleção brasileira de volta, apesar de negar.

Essa relação não é fácil, as brigas sempre foram algo comum. E quando se fala em olimpíadas por exemplo, o coração do torcedor palpita mais forte; que decepção. Eles até se acertaram e viveram bons momentos, mas isso foi entre 2002 e 2006, fazem 10 anos, e aliás, foi uma francesa quem destruiu o amor. Desde então o torcedor tentou, mas só teve seu coração quebrado.

O momento é ruim e essa seleção é muito cruel. Nem mesmo a substituição de seus mentores fez a coisa melhorar. O problema não era tão restrito a Dunga como pensávamos, apesar de esse ser o responsável por boa parte dos motivos deste distanciamento entre os dois amores. Dessa vez, por exemplo, a seleção apareceu apática, fria, parecia mais preocupada em se mostrar, em ganhar o torcedor apenas pela própria existência, sem mais nada a oferecer.

Todos nós sabemos que um relacionamento saudável é baseado em uma troca mútua e essa seleção segue se mostrando egoísta. Cada um de seus jogadores apresentaram uma falta de entrosamento inacreditável. No setor ofensivo parecia que havia um desfile para escolher o melhor jogador pelo nome, drible, ou finalização mais bonitos. Houve pouca coletividade. Não existiu qualquer piscadela ou toque de mãos com o torcedor, que esperava ansiosamente pelo toque da amada.


O torcedor saiu esgotado de mais esse encontro e é impossível saber o que vai acontecer a partir de agora. É provável que vá buscar conselhos em outros esportes olímpicos e depois se jogue nos braços do campeonato brasileiro e da copa do brasil –o torcedor também é cafajeste- antes de tentar novamente reatar esse relacionamento abusivo. Já a fria seleção, terá que sentar no divã e contar tudo que lhe aflige. Parece, inclusive, que já tem horário marcado com o psicólogo, Dr. Tite. Só nos resta esperar o que vai sair dessa novela pois um precisa do outro como o futebol precisa de paixão e isso a seleção perdeu, enquanto o torcedor ainda transborda. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Partida de ouro
Seleção feminina apresenta um futebol convincente e marca 3 gols sobre a China, na estreia




As olímpiadas já começaram para o futebol feminino. Há três dias da abertura oficial dos jogos a seleção brasileira fez bonito: goleou a China e deu o primeiro passo rumo ao lugar mais alto do pódio. Em uma tarde inspirada, a seleção dominou as adversárias e impôs o ritmo de jogo, a recompensa foi o placar de 3 a 0 para as donas da casa.

A China tentou defender com todas as jogadoras, mas foi o Brasil quem abriu o placar. Aos 34 minutos, Monica aproveitou o bate rebate na área e cabeceou no canto esquerdo da goleira Zhao Lina. O primeiro gol mostrava a superioridade amarela durante toda a partida. A seleção brasileira não parava de atacar e deu trabalho para as zagueiras do time asiático.

O segundo gol veio após o intervalo. Logo aos 13 minutos do segundo tempo, Marta recebeu a bola em profundidade e viu Andressa Alves que empurrou para a rede. O segundo gol não esfriou a seleção e Marta fez bela jogada aos 20 minutos do segundo tempo. Ela driblou duas adversárias e chutou no canto direito da goleira chinesa que foi ágil e mandou para fora.

A conta só foi fechada no final da partida, mais precisamente aos 40 minutos do segundo tempo. Andressinha cobrou falta e Cristiane subiu mais alto que toda a defesa adversária para marcar o seu gol. Estava consolidada a vitória da seleção brasileira. Um resultado para conquistar a confiança do torcedor e consolidar o início da trajetória rumo ao ouro olímpico.

Líder do grupo E, com 2 gols a mais que a Suécia, a seleção brasileira vai enfrentar justamente a seleção do país nórdico, no Engenhão, neste sábado (6). As próximas adversárias do Brasil venceram a seleção da África do Sul por 1 a 0 na estreia. Já as chinesas enfrentam as africanas, também no Engenhão, no mesmo dia de Brasil x Suécia.

Crônica

O jogo começou com a China tentando marcar a saída de bola brasileira, mas a tentativa das visitantes encontrou pela frente um Brasil tranquilo, que tocou bola até conseguir impor o ritmo do jogo. Logo aos três minutos de jogo, Formiga faz bela jogada no meio campo e toca para Cristiane chutar de fora da área, mas a goleira Zhao Lina segurou firme.

Mesmo sem chegar ao gol adversário com frequência a seleção brasileira tocava a bola e ameaçava a defesa chinesa. Aos 14 minutos da primeira etapa, após cruzamento de Tamires, Cristiane chuta de voleio, mas Zhao estava esperta e botou a bola para escanteio.

A pressão brasileira só aumentava. Fabiana roubou a bola, arrancou pelo setor direito do ataque e tocou para Cristiane, ela girou e chutou mascado, nas mãos da goleira. Depois foi a vez de Beatriz arrancar do meio campo e driblar uma das zagueiras para chutar de perna esquerda para fora do gol. À essa altura no jogo o gol brasileiro parecia inevitável.

E ele quase veio quando Marta bateu o escanteio e Cristiane finalizou da pequena área tirando da goleira, mas tirou o primeiro gol da atacante brasileira. A China defendia com as 11 jogadoras atrás da linha da bola, mesmo assim estava fácil chegar ao gol e após um escanteio, aos 34 minutos, Monica cabeceou tirando da goleira. Era o primeiro gol brasileiro nas olimpíadas.

Na primeira etapa, a goleira Bárbara só foi acionada aos 45 minutos, quando Fabiana recuou mal e encontrou a companheira saindo da meta. A arqueira não conseguiu segurar e a bola seguiu rolando majestosamente ao que parecia ser um gol contra, mas a tormenta acabou quando ela resolveu sair pela linha de fundo.

O primeiro tempo chegava ao fim com um domínio absoluto da seleção da casa. Jogando no Engenhão, as meninas do Brasil terminaram a primeira etapa com uma posse de bola de 65%. Além disso, ainda finalizaram 12 vezes e cobraram seis escanteios, sendo um exatamente o que gerou o gol.

Marta brilha na segunda etapa

O segundo tempo começou com um Brasil mais tranquilo. Marta passou a jogar pelo setor direito do ataque e abriu espaço na defesa chinesa. Tanto que, logo aos 3 minutos, Fabiana acertou um belo chute, mas a goleira Zhao Lina mandou para escanteio. As brasileiras voltaram com um ritmo ainda muito intenso, para azar das adversárias.

Cristiane passou a buscar ainda mais o gol. A atacante do Paris Saint-Germain recebeu um cruzamento na área e subiu para cabecear para fora. O segundo gol estava mais perto e ele veio logo aos 13 minutos da segunda etapa. Andressinha viu a passagem de Marta pela direita e acionou a camisa 10, ela entrou na área e tocou para Andressa Alves que não perdoou e ampliou o placar, Brasil 2 x 0 China.

Além de ter que lidar com uma Cristiane sedenta pelo gol, a zaga chinesa precisava controlar Marta. A camisa 10 passou a gostar ainda mais do jogo, e driblou duas marcadoras antes de bater no canto da goleira Zhao Lina que se esticou e mandou para escanteio, aos 20 minutos do segundo tempo. O Brasil novamente apresentava maior volume de jogo, era avassalador, enquanto a China continuava recuada, esperando o contra-ataque que nunca chegava.

Até os 30 minutos da segunda etapa o Brasil já tinha cobrado 15 escanteios e de um deles saiu mais uma jogada perigosa. Após a cobrança de Andressinha, Cristiane tentou chutar para o gol, mas foi bloqueada pela goleira chinesa. A bola subiu e permaneceu viva na área, até ser isolada pela defesa. Cristiane seguia buscando seu gol.

A conta foi fechada aos 40 minutos do segundo tempo. Em uma jogada na intermediária esquerda, Wu Haiyan deu um carrinho sem bola em Andressa Alves. A falta que parecia despretensiosa se transformou no, tão procurado, gol de Cristiane. Após a cobrança de Andressinha, a atacante subiu mais alto que as zagueiras e marcou o terceiro gol brasileiro.


O resultado coloca a equipe dona da casa na liderança do grupo. Apesar da importância de somar pontos nessa primeira fase, a vitória da seleção brasileira serve para trazer mais confiança e tranquilidade ao time, convencendo o torcedor de que estão prontas para conseguir o ouro.