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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Emily Lima assume o comando da seleção feminina
Treinadora faz história como primeira mulher a dirigir a time nacional e espera participar ativamente da fase de mudanças no futebol feminino brasileiro




Na manhã desta quinta-feira (3) a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou oficialmente a técnica do São José, Emily Lima, como a nova treinadora da seleção de futebol feminino. Apesar de jovem, 34 anos apenas, a treinadora já teve experiência à frente da seleção. Em 2013, ela comandou as seleções femininas sub- 15 e sub-17. Recentemente dirigiu o São José, onde foi vice-campeã do Brasileirão feminino em 2015 e da Copa do Brasil desse ano.

Emily foi anunciada como treinadora da seleção logo após a demissão do técnico Vadão, nesta terça-feira (1). O treinador estava no comando do time brasileiro desde 2014, quando conquistou o Torneio Internacional de Futebol Feminino de Manaus, feito que repetiu no ano seguinte. Ele ainda conquistou a medalha de ouro no pan-americano de Toronto, ainda em 2015, e apesar do desempenho abaixo do esperado nos jogos do Rio 2016, foi indicado como candidato a melhor treinador do ano pela Fifa.

Primeira mulher na história do Brasil a treinar uma seleção principal, Emily garantiu a permanência das jogadoras Marta e Cristiane no projeto para a renovação da seleção. “Desejo muito que Marta e Cristiane continuem no projeto da seleção. Acredito muito nas meninas mais novas, mas precisamos nos renovar com cautela”, disse a treinadora durante a apresentação.

Emily jogou em times como São Paulo e Santos, antes de ser transferida para a Europa, em 2001. No velho continente, atuou sete anos na Espanha e um na Itália, quando jogou no Napoli, clube onde encerrou a carreira. Em 2011, integrou-se à comissão técnica da Portuguesa e no mesmo ano foi contratada como treinadora pelo Juventus-SP.

O primeiro desafio da comandante é no Torneio Internacional de Manaus, que acontece em dezembro, na capital Amazonense.

Opinião

Emily Lima é mais que um sopro (um vendaval) de modernidade nos campos do Brasil. Mesmo que ainda não tenha definido um modelo de jogo, é provável que adote a tradicional defesa em linha e ataque com três jogadoras, favorecendo o estilo de jogo ofensivo; a cara dela. Mas a representação de moderno que descrevo aqui não se trata do que acontece dentro das linhas de jogo e sim o que vem de fora: Emily é um “xô” ao preconceito.

Embora não se sinta à vontade (e nem deveria) de tomar para si a responsabilidade de abrir caminhos para outras mulheres, a simples presença dela o faz. Devemos reconhecer que a participação delas no comando de equipes esportivas é muito restrita, portanto, só em deixar a figuração e assumir o posto máximo da comissão técnica de futebol feminino representa uma significativa mudança no esporte nacional.

Em entrevista ao site Trivela.com, a agora comandante da seleção feminina falou sobre o desinteresse das atletas em seguirem no futebol, mesmo depois das aposentadorias. Para ela, o baixo investimento financeiro na modalidade faz com quem as atletas se dediquem à estudos em outras áreas, sendo cada vez mais afastadas do futebol.

“Essas meninas trabalham por 12, 14 anos, algumas até mais, com todas as dificuldades que o futebol feminino tem. E depois ela ainda vai querer continuar nesse meio, sendo que pode estudar paralelamente, fazer faculdade e buscar sua vida em outra coisa? Então eu acho que é um pouco das duas coisas. A falta de incentivo das federações e da CBF em capacitar as treinadoras, as ex-atletas em si, e o desinteresse também. É 50% de cada um”, contou a treinadora.

E esse parece ser o legado de Emily no comando da seleção: auxiliar o desenvolvimento de profissionais mulheres para o futebol. Tanto que, em suas entrevistas como técnica do time feminino ela deixou claro o interesse em estar próxima do técnico da seleção masculina, Tite. Ela espera aproveitar da vasta experiência do treinador para alavancar o futebol feminino.

“Uma das perguntas que fiz ao presidente foi se eu poderia trocar ideias com o Tite. Eu já vinha pensando nisso, eu gostaria de estagiar com ele no Corinthians, mas não pude na época. Hoje, mais próxima, eu espero que isso aconteça, pois vai engrandecer muito meu trabalho. Admiro demais o Tite como pessoa e como profissional”, contou a treinadora durante a coletiva de apresentação.

Por isso a missão dela é bem maior que simplesmente conquistar títulos. Para aumentar um pouco mais a pressão, o primeiro desafio de Emily poderia ser mais simples, não fosse o resultado de Vadão na competição. O antigo treinador deixa o bicampeonato no torneio como legado e isso pode gerar algumas situações embaraçosas nesse primeiro momento da treinadora no comando da equipe.

Ainda na entrevista ao Trivela.com, a treinadora foi firme ao avaliar a diferença no tratamento dado aos treinadores homens em relação às mulheres.  “O homem não precisa provar que é capaz de ser técnico, a gente precisa a cada dia”, desabafou.



De fato, a jovem treinadora que possui apenas cinco anos de carreira não tem a obrigação de provar nada a ninguém. Caso entenda isso antes do Torneio Internacional ela pode começar a mostrar a força do seu trabalho ainda em Manaus, dois meses após assumir o cargo de treinadora. Mas mesmo as pessoas mais tranquilas sentem a pressão e a força da comparação, isso sem falar no preconceito que recai sobre seus ombros e o peso de representar todas as mulheres brasileiras no futebol.

Porém, é natural que essa nuvem negativa pouse sobre a cabeça da técnica da seleção pelo menos nesse primeiro momento e aí entra a hora de ter paciência. Não restam dúvidas da capacidade e do potencial de alguém que rompeu barreiras para fazer sua competência ser reconhecida. Emily é hoje o que o futebol precisa, masculino e feminino, o novo, e como treinadora do São José mostrou-se preparada para estar à beira do gramado.

Ainda dia 1 de novembro, data do anúncio do nome de Emily Lima como treinadora da seleção, a CBF anunciou uma série de mudanças para o campeonato brasileiro da modalidade ainda para 2017, a principal delas foi a distribuição das equipes em duas divisões e um calendário mais extenso. Além disso, a Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol), determinou que a partir de 2018, manter equipes femininas será requisito para os times masculinos classificados para a Libertadores da América. A ideia é realizar o torneio masculino e feminino no mesmo período.


O futebol feminino passa a ser enxergado como um negócio promissor, ganha regularidade, acabando com a dúvida quanto à realização do campeonato nacional. Se a treinadora é símbolo da luta da mulher por espaço, só elas poderão dizer. Mas podemos afirmar que o futebol feminino enxerga dias melhores e voa para o futuro sob o comando delas. Comparecer aos jogos é, mais do que nunca, obrigação. Conquistar títulos é um mero detalhe. A única conquista que queremos é que as meninas boleiras do Brasil possam viver daquilo que gostam: o futebol. Já seria bom demais.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Faltou o gol
Mesmo superiores em campo, seleção brasileira não balança as redes da Suécia e dá adeus ao sonho olímpico



Na tarde dessa terça feira (16), a seleção feminina de futebol do Brasil enfrentou a Suécia, no Maracanã, para a segunda partida da fase de mata-mata nos jogos olímpicos. Mas o que tinha de tudo para ser uma repetição da sonora goleada na primeira fase, terminou em tragédia e eliminação da seleção dona da casa.

O Brasil jogou melhor e atacou mais que as adversárias, mas encontrou pela frente uma Suécia diferente daquela da primeira fase, bem mais organizada, assumindo a postura defensiva.  O time brasileiro não conseguiu tirar o zero do placar, perdeu o jogo na decisão por pênaltis e pôs fim ao sonho do ouro inédito no Rio.

As duas linhas defensivas das nórdicas, bem próximas da área, dificultaram a criação de jogadas no setor ofensivo do Brasil, mas mesmo assim o time manteve o domínio do jogo, controlando toda a ofensividade da partida e terminando o tempo regulamentar com 33 finalizações e o 65% de posse de bola, já as suecas chegaram apenas 6 vezes ao gol defendido pela goleira Bárbara.

Visivelmente desgastadas pelo jogo duro contra a Austrália no último sábado, pelas quartas de finais, a seleção ainda sentia a ausência da maior artilheira dos jogos olímpicos: Cristiane. A camisa 11 do Brasil entrou em campo no fim da segunda etapa da prorrogação, mas nem ela conseguiria resolver o problema da falta de gols. Coincidentemente o jejum de gols teve início após a lesão e, consequentemente, o afastamento da atacante.

Esta foi a terceira partida seguida que o time brasileiro não conseguiu balançar as redes, o último gol tinha acontecido exatamente na partida contra a Suécia, ainda na primeira fase. Agora o Brasil aguarda a seleção perdedora no duelo entre Canadá X Alemanha, que acontece no Mineirão, para definir a adversária na disputa do bronze. Já a Suécia, garante a medalha de prata e se prepara para a grande final, que acontece na próxima sexta feira (17), no Maracanã.

Crônica

Me perdoem a ausência de palavras, essa foi uma tarde difícil de explicar. A seleção brasileira tinha o melhor time e novamente dominava a partida, como tinha feito até o momento na competição. Foram 33 finalizações, 10 no gol da goleira Lindahl. Parecia uma vitória inevitável, daqueles jogos que o time só encontra o caminho depois do primeiro gol. O problema é que o primeiro gol não veio!

Formiga foi valente. Jogou, lutou, discutiu e, no fim do jogo, machucou o posterior da coxa. Não tem mais nada para provar, já foi gigante. Em todos os jogos do Brasil, a veterana foi gigante em campo, aparecia em todos os cantos, desprezando o apelido que virou nome. Falando em ser gigante, Cristiane entrou em campo com uma proteção na coxa, ainda sem velocidade, sentindo um pouco a lesão sofrida. Superou os próprios limites e tentou deixar o seu no final do segundo tempo da prorrogação.

Sobrou vontade, faltou o espaço. O time da Suécia assumiu uma postura defensiva, um ferrolho quase intransponível. Era a estratégia da treinadora; foi assim que chegaram na segunda fase, mesmo depois da goleada por 5 a 1 contra o Brasil, da mesma forma elas venceram os Estados Unidos. Aliás, precisamos pedir desculpas a Hope Solo: a falastrona tinha razão. O time da Suécia assumiu uma postura covarde para sobreviver.Também é hora de tirar o chapéu para a própria seleção nórdica, que reconheceu sua inferioridade técnica e apelou para a obediência tática.

Não deve haver aqui o choro de perdedor. Mesmo que às vezes esse discurso pareça ser vago e carregar com ele as desculpas de quem tenta defender o indefensável, o futebol feminino superou novamente todos os limites impostos a elas pela gestão sexista e gananciosa do esporte nacional. Embora as suecas ainda não possuam equivalência salarial em relação aos jogadores homens, lá a diferença dos valores recebidos é menor do que nessas terras tupiniquins.


Nossas meninas já são de ouro, essa medalha não prova nada! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aponta pro ouro e vai

Chega ao fim a primeira fase do futebol no rio 2016 e seleções masculina e feminina seguem vivas na competição em busca do inédito ouro olímpico.





A fase de grupos no futebol dos jogos olímpicos Rio 2016 chegou ao fim ontem (10) e definiu os classificados e eliminados para a sequência da competição. Sobre os times do Brasil, o feminino foi o primeiro a garantir a passagem para as quartas de finais. A classificação veio logo após a segunda vitória, diante da Suécia, por 5 a 1, no sábado (6). Os resultados positivos da seleção feminina nas duas primeiras rodadas fizeram com que o time enfrentasse a África do Sul, com o direito de classificar mesmo com um empate.

A partida contra as africanas, lanternas do grupo E da competição, que aconteceu nesta terça-feira (9), foi marcada exatamente pela calma de quem estava guardando forças para a próxima fase da competição. O resultado de 0 a 0, garantiu o Brasil na primeira posição do grupo e definiu a Austrália, terceira colocada no grupo F, como próxima adversária do time comandado por Vadão.

Ao contrário das meninas do Brasil, o futebol masculino chegou à última rodada desacreditado e torcendo para que o calor do clima e do povo nordestino ajudasse na classificação que começava a se distanciar. O jogo contra a Dinamarca, equipe líder do grupo com quatro pontos, marcou o reencontro do time com o bom futebol. O a seleção brasileira venceu por 4 a 0 e garantiu a vaga na próxima fase com a própria Dinamarca ficando com a segunda vaga.

Agora as duas seleções voltam a campo ainda essa semana para definir a sequência do torneio. A primeira será a seleção feminina que enfrenta a Austrália no Mineirão, amanhã (12) ás 22h. Já neste sábado (13), é dia da seleção masculina mostrar serviço contra a Colômbia, na Arena Corinthians, em São Paulo, também às 22h. O Brasil nunca conquistou o ouro olímpico no futebol feminino ou masculino.

Opinião

 

O reencontro do time masculino com o bom futebol e a confiança no selecionado feminino levam o torcedor a acreditar na conquista do inédito ouro olímpico e nas seleções nacionais. É bem verdade que o momento é melhor para as meninas, que estrearam com vitória e garantiram a classificação ainda no segundo jogo.

A coletividade no futebol apresentado por elas é marcante e as ações ofensivas mostram um time mais rápido do que o de costume para a esta seleção, criticada no cenário do futebol feminino exatamente pela lentidão no toque de bola e na transição da defesa para o ataque, e vice-versa. Tudo isso serve para deixar bem claro: Elas amadureceram!

Se as meninas vivem o paraíso, o selecionado de Neymar e companhia despertou a ira do torcedor nos empates sem gols contra África do Sul e Iraque. O time só encontrou o bom futebol e o caminho para o gol com uma mudança tática fundamental: Renato Augusto deixou de ser o responsável por armar as jogadas pelo meio do setor ofensivo e Neymar retornou para a posição.

A mudança surtiu efeitos e o Brasil enxergou bem o espaço nas costas do lateral, pelo setor esquerdo de ataque, o que definiu o placar do jogo. Todos os quatro gols do time na partida saíram de jogadas iniciadas ou concluídas nessa região da área dinamarquesa.
É óbvio que não existe fórmula para o sucesso e definir o lugar dos dois times nas finais é algo prematuro e infantil. Até chegar na disputa por medalhas, a seleção feminina, por exemplo, terá pela frente a Austrália que as eliminou do último mundial, ano passado, no Canadá. As meninas seguem engasgadas e o fator psicológico pode ser determinante para um deslize ou para a glória.

Já o time masculino enfrenta um desafio interessante.  Não que a Colômbia apresente uma qualidade técnica e disposição tática superior, mas o time é bem mais ofensivo e veloz do que os adversários do Brasil até o momento, o que dá ao jogo um caráter ainda mais imprevisível do que o costumeiro, para o futebol.

Apesar dos resultados que possam surgir é importante que saibamos reconhecer que temos times para torcer; e temos dois. É inevitável que a credibilidade do futebol feminino seja superior ao masculino, mas ambos podem fazer história e precisam do incentivo do torcedor. O caminho para o ouro começa agora. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Entre tapas e beijos
Seleção brasileira enfrenta o Iraque nas Olimpíadas e decepciona mais uma vez o torcedor


Em mais uma tentativa de recuperar o apoio do torcedor brasileiro, a seleção de futebol masculina enfrentou o Iraque na noite de ontem (7), no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mas o que devia ser a redenção do time comandado por Neymar, acabou se tornando um agravante na briga entre torcida e seleção após o empate sem gols.

Apesar de dominar a posse de bola durante o jogo (69% contra 31% dos iraquianos), a seleção errou incontáveis passes, finalizou mal e ainda teve que lidar com as vaias vindas das arquibancadas. Renato Augusto foi o alvo principal da fúria do torcedor. O volante não jogou bem e errou vários passes, além de perder uma chance clara de gol, aos 47 minutos do segundo tempo.

Por falar em gols perdidos, o time finalizou 20 vezes durante a partida, mas só seis foram em direção ao gol defendido por Hameed. Já o time iraquiano finalizou apenas seis vezes, mas deu trabalho ao goleiro Weverton em quatro delas. O número de faltas também foi alto. O Brasil cometeu 16 e o Iraque 17 infrações, o que fez o árbitro distribuir oito cartões amarelos durante o jogo, sendo três para a seleção da casa e cinco para os adversários.

Com o empate no placar, Brasil e Iraque empatam também em número de pontos, dois para cada. Agora o Brasil enfrenta uma situação delicada na competição. A equipe de Rogério Micale precisa vencer a seleção da Dinamarca, líder do grupo com quatro pontos e ainda torcer para que o Iraque não vença a África do Sul, lanterna do grupo com um ponto.

Crônica
É impossível estabelecer uma definição para as partidas da seleção masculina que não seja a de reconciliação amorosa. A seleção liga, parece que quer voltar, marca o jantar e o torcedor se anima. Mas na hora marcada eles descobrem a verdade: não são mais um para o outro. A seleção tem um temperamento difícil e nem as mudanças em suas escalações conseguem trazer uma estabilidade emocional.

Por outro lado, o torcedor sofre calado. Segue trabalhando, estudando, enfim, segue vivendo. Até se arrisca em outros amores, mas os campeonatos de clubes ficam só como um paliativo e também sofrem bastante por saberem que não são os preferidos. Os torcedores continuam desejando a seleção brasileira de volta, apesar de negar.

Essa relação não é fácil, as brigas sempre foram algo comum. E quando se fala em olimpíadas por exemplo, o coração do torcedor palpita mais forte; que decepção. Eles até se acertaram e viveram bons momentos, mas isso foi entre 2002 e 2006, fazem 10 anos, e aliás, foi uma francesa quem destruiu o amor. Desde então o torcedor tentou, mas só teve seu coração quebrado.

O momento é ruim e essa seleção é muito cruel. Nem mesmo a substituição de seus mentores fez a coisa melhorar. O problema não era tão restrito a Dunga como pensávamos, apesar de esse ser o responsável por boa parte dos motivos deste distanciamento entre os dois amores. Dessa vez, por exemplo, a seleção apareceu apática, fria, parecia mais preocupada em se mostrar, em ganhar o torcedor apenas pela própria existência, sem mais nada a oferecer.

Todos nós sabemos que um relacionamento saudável é baseado em uma troca mútua e essa seleção segue se mostrando egoísta. Cada um de seus jogadores apresentaram uma falta de entrosamento inacreditável. No setor ofensivo parecia que havia um desfile para escolher o melhor jogador pelo nome, drible, ou finalização mais bonitos. Houve pouca coletividade. Não existiu qualquer piscadela ou toque de mãos com o torcedor, que esperava ansiosamente pelo toque da amada.


O torcedor saiu esgotado de mais esse encontro e é impossível saber o que vai acontecer a partir de agora. É provável que vá buscar conselhos em outros esportes olímpicos e depois se jogue nos braços do campeonato brasileiro e da copa do brasil –o torcedor também é cafajeste- antes de tentar novamente reatar esse relacionamento abusivo. Já a fria seleção, terá que sentar no divã e contar tudo que lhe aflige. Parece, inclusive, que já tem horário marcado com o psicólogo, Dr. Tite. Só nos resta esperar o que vai sair dessa novela pois um precisa do outro como o futebol precisa de paixão e isso a seleção perdeu, enquanto o torcedor ainda transborda. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Partida de ouro
Seleção feminina apresenta um futebol convincente e marca 3 gols sobre a China, na estreia




As olímpiadas já começaram para o futebol feminino. Há três dias da abertura oficial dos jogos a seleção brasileira fez bonito: goleou a China e deu o primeiro passo rumo ao lugar mais alto do pódio. Em uma tarde inspirada, a seleção dominou as adversárias e impôs o ritmo de jogo, a recompensa foi o placar de 3 a 0 para as donas da casa.

A China tentou defender com todas as jogadoras, mas foi o Brasil quem abriu o placar. Aos 34 minutos, Monica aproveitou o bate rebate na área e cabeceou no canto esquerdo da goleira Zhao Lina. O primeiro gol mostrava a superioridade amarela durante toda a partida. A seleção brasileira não parava de atacar e deu trabalho para as zagueiras do time asiático.

O segundo gol veio após o intervalo. Logo aos 13 minutos do segundo tempo, Marta recebeu a bola em profundidade e viu Andressa Alves que empurrou para a rede. O segundo gol não esfriou a seleção e Marta fez bela jogada aos 20 minutos do segundo tempo. Ela driblou duas adversárias e chutou no canto direito da goleira chinesa que foi ágil e mandou para fora.

A conta só foi fechada no final da partida, mais precisamente aos 40 minutos do segundo tempo. Andressinha cobrou falta e Cristiane subiu mais alto que toda a defesa adversária para marcar o seu gol. Estava consolidada a vitória da seleção brasileira. Um resultado para conquistar a confiança do torcedor e consolidar o início da trajetória rumo ao ouro olímpico.

Líder do grupo E, com 2 gols a mais que a Suécia, a seleção brasileira vai enfrentar justamente a seleção do país nórdico, no Engenhão, neste sábado (6). As próximas adversárias do Brasil venceram a seleção da África do Sul por 1 a 0 na estreia. Já as chinesas enfrentam as africanas, também no Engenhão, no mesmo dia de Brasil x Suécia.

Crônica

O jogo começou com a China tentando marcar a saída de bola brasileira, mas a tentativa das visitantes encontrou pela frente um Brasil tranquilo, que tocou bola até conseguir impor o ritmo do jogo. Logo aos três minutos de jogo, Formiga faz bela jogada no meio campo e toca para Cristiane chutar de fora da área, mas a goleira Zhao Lina segurou firme.

Mesmo sem chegar ao gol adversário com frequência a seleção brasileira tocava a bola e ameaçava a defesa chinesa. Aos 14 minutos da primeira etapa, após cruzamento de Tamires, Cristiane chuta de voleio, mas Zhao estava esperta e botou a bola para escanteio.

A pressão brasileira só aumentava. Fabiana roubou a bola, arrancou pelo setor direito do ataque e tocou para Cristiane, ela girou e chutou mascado, nas mãos da goleira. Depois foi a vez de Beatriz arrancar do meio campo e driblar uma das zagueiras para chutar de perna esquerda para fora do gol. À essa altura no jogo o gol brasileiro parecia inevitável.

E ele quase veio quando Marta bateu o escanteio e Cristiane finalizou da pequena área tirando da goleira, mas tirou o primeiro gol da atacante brasileira. A China defendia com as 11 jogadoras atrás da linha da bola, mesmo assim estava fácil chegar ao gol e após um escanteio, aos 34 minutos, Monica cabeceou tirando da goleira. Era o primeiro gol brasileiro nas olimpíadas.

Na primeira etapa, a goleira Bárbara só foi acionada aos 45 minutos, quando Fabiana recuou mal e encontrou a companheira saindo da meta. A arqueira não conseguiu segurar e a bola seguiu rolando majestosamente ao que parecia ser um gol contra, mas a tormenta acabou quando ela resolveu sair pela linha de fundo.

O primeiro tempo chegava ao fim com um domínio absoluto da seleção da casa. Jogando no Engenhão, as meninas do Brasil terminaram a primeira etapa com uma posse de bola de 65%. Além disso, ainda finalizaram 12 vezes e cobraram seis escanteios, sendo um exatamente o que gerou o gol.

Marta brilha na segunda etapa

O segundo tempo começou com um Brasil mais tranquilo. Marta passou a jogar pelo setor direito do ataque e abriu espaço na defesa chinesa. Tanto que, logo aos 3 minutos, Fabiana acertou um belo chute, mas a goleira Zhao Lina mandou para escanteio. As brasileiras voltaram com um ritmo ainda muito intenso, para azar das adversárias.

Cristiane passou a buscar ainda mais o gol. A atacante do Paris Saint-Germain recebeu um cruzamento na área e subiu para cabecear para fora. O segundo gol estava mais perto e ele veio logo aos 13 minutos da segunda etapa. Andressinha viu a passagem de Marta pela direita e acionou a camisa 10, ela entrou na área e tocou para Andressa Alves que não perdoou e ampliou o placar, Brasil 2 x 0 China.

Além de ter que lidar com uma Cristiane sedenta pelo gol, a zaga chinesa precisava controlar Marta. A camisa 10 passou a gostar ainda mais do jogo, e driblou duas marcadoras antes de bater no canto da goleira Zhao Lina que se esticou e mandou para escanteio, aos 20 minutos do segundo tempo. O Brasil novamente apresentava maior volume de jogo, era avassalador, enquanto a China continuava recuada, esperando o contra-ataque que nunca chegava.

Até os 30 minutos da segunda etapa o Brasil já tinha cobrado 15 escanteios e de um deles saiu mais uma jogada perigosa. Após a cobrança de Andressinha, Cristiane tentou chutar para o gol, mas foi bloqueada pela goleira chinesa. A bola subiu e permaneceu viva na área, até ser isolada pela defesa. Cristiane seguia buscando seu gol.

A conta foi fechada aos 40 minutos do segundo tempo. Em uma jogada na intermediária esquerda, Wu Haiyan deu um carrinho sem bola em Andressa Alves. A falta que parecia despretensiosa se transformou no, tão procurado, gol de Cristiane. Após a cobrança de Andressinha, a atacante subiu mais alto que as zagueiras e marcou o terceiro gol brasileiro.


O resultado coloca a equipe dona da casa na liderança do grupo. Apesar da importância de somar pontos nessa primeira fase, a vitória da seleção brasileira serve para trazer mais confiança e tranquilidade ao time, convencendo o torcedor de que estão prontas para conseguir o ouro.