terça-feira, 16 de agosto de 2016

Faltou o gol
Mesmo superiores em campo, seleção brasileira não balança as redes da Suécia e dá adeus ao sonho olímpico



Na tarde dessa terça feira (16), a seleção feminina de futebol do Brasil enfrentou a Suécia, no Maracanã, para a segunda partida da fase de mata-mata nos jogos olímpicos. Mas o que tinha de tudo para ser uma repetição da sonora goleada na primeira fase, terminou em tragédia e eliminação da seleção dona da casa.

O Brasil jogou melhor e atacou mais que as adversárias, mas encontrou pela frente uma Suécia diferente daquela da primeira fase, bem mais organizada, assumindo a postura defensiva.  O time brasileiro não conseguiu tirar o zero do placar, perdeu o jogo na decisão por pênaltis e pôs fim ao sonho do ouro inédito no Rio.

As duas linhas defensivas das nórdicas, bem próximas da área, dificultaram a criação de jogadas no setor ofensivo do Brasil, mas mesmo assim o time manteve o domínio do jogo, controlando toda a ofensividade da partida e terminando o tempo regulamentar com 33 finalizações e o 65% de posse de bola, já as suecas chegaram apenas 6 vezes ao gol defendido pela goleira Bárbara.

Visivelmente desgastadas pelo jogo duro contra a Austrália no último sábado, pelas quartas de finais, a seleção ainda sentia a ausência da maior artilheira dos jogos olímpicos: Cristiane. A camisa 11 do Brasil entrou em campo no fim da segunda etapa da prorrogação, mas nem ela conseguiria resolver o problema da falta de gols. Coincidentemente o jejum de gols teve início após a lesão e, consequentemente, o afastamento da atacante.

Esta foi a terceira partida seguida que o time brasileiro não conseguiu balançar as redes, o último gol tinha acontecido exatamente na partida contra a Suécia, ainda na primeira fase. Agora o Brasil aguarda a seleção perdedora no duelo entre Canadá X Alemanha, que acontece no Mineirão, para definir a adversária na disputa do bronze. Já a Suécia, garante a medalha de prata e se prepara para a grande final, que acontece na próxima sexta feira (17), no Maracanã.

Crônica

Me perdoem a ausência de palavras, essa foi uma tarde difícil de explicar. A seleção brasileira tinha o melhor time e novamente dominava a partida, como tinha feito até o momento na competição. Foram 33 finalizações, 10 no gol da goleira Lindahl. Parecia uma vitória inevitável, daqueles jogos que o time só encontra o caminho depois do primeiro gol. O problema é que o primeiro gol não veio!

Formiga foi valente. Jogou, lutou, discutiu e, no fim do jogo, machucou o posterior da coxa. Não tem mais nada para provar, já foi gigante. Em todos os jogos do Brasil, a veterana foi gigante em campo, aparecia em todos os cantos, desprezando o apelido que virou nome. Falando em ser gigante, Cristiane entrou em campo com uma proteção na coxa, ainda sem velocidade, sentindo um pouco a lesão sofrida. Superou os próprios limites e tentou deixar o seu no final do segundo tempo da prorrogação.

Sobrou vontade, faltou o espaço. O time da Suécia assumiu uma postura defensiva, um ferrolho quase intransponível. Era a estratégia da treinadora; foi assim que chegaram na segunda fase, mesmo depois da goleada por 5 a 1 contra o Brasil, da mesma forma elas venceram os Estados Unidos. Aliás, precisamos pedir desculpas a Hope Solo: a falastrona tinha razão. O time da Suécia assumiu uma postura covarde para sobreviver.Também é hora de tirar o chapéu para a própria seleção nórdica, que reconheceu sua inferioridade técnica e apelou para a obediência tática.

Não deve haver aqui o choro de perdedor. Mesmo que às vezes esse discurso pareça ser vago e carregar com ele as desculpas de quem tenta defender o indefensável, o futebol feminino superou novamente todos os limites impostos a elas pela gestão sexista e gananciosa do esporte nacional. Embora as suecas ainda não possuam equivalência salarial em relação aos jogadores homens, lá a diferença dos valores recebidos é menor do que nessas terras tupiniquins.


Nossas meninas já são de ouro, essa medalha não prova nada! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aponta pro ouro e vai

Chega ao fim a primeira fase do futebol no rio 2016 e seleções masculina e feminina seguem vivas na competição em busca do inédito ouro olímpico.





A fase de grupos no futebol dos jogos olímpicos Rio 2016 chegou ao fim ontem (10) e definiu os classificados e eliminados para a sequência da competição. Sobre os times do Brasil, o feminino foi o primeiro a garantir a passagem para as quartas de finais. A classificação veio logo após a segunda vitória, diante da Suécia, por 5 a 1, no sábado (6). Os resultados positivos da seleção feminina nas duas primeiras rodadas fizeram com que o time enfrentasse a África do Sul, com o direito de classificar mesmo com um empate.

A partida contra as africanas, lanternas do grupo E da competição, que aconteceu nesta terça-feira (9), foi marcada exatamente pela calma de quem estava guardando forças para a próxima fase da competição. O resultado de 0 a 0, garantiu o Brasil na primeira posição do grupo e definiu a Austrália, terceira colocada no grupo F, como próxima adversária do time comandado por Vadão.

Ao contrário das meninas do Brasil, o futebol masculino chegou à última rodada desacreditado e torcendo para que o calor do clima e do povo nordestino ajudasse na classificação que começava a se distanciar. O jogo contra a Dinamarca, equipe líder do grupo com quatro pontos, marcou o reencontro do time com o bom futebol. O a seleção brasileira venceu por 4 a 0 e garantiu a vaga na próxima fase com a própria Dinamarca ficando com a segunda vaga.

Agora as duas seleções voltam a campo ainda essa semana para definir a sequência do torneio. A primeira será a seleção feminina que enfrenta a Austrália no Mineirão, amanhã (12) ás 22h. Já neste sábado (13), é dia da seleção masculina mostrar serviço contra a Colômbia, na Arena Corinthians, em São Paulo, também às 22h. O Brasil nunca conquistou o ouro olímpico no futebol feminino ou masculino.

Opinião

 

O reencontro do time masculino com o bom futebol e a confiança no selecionado feminino levam o torcedor a acreditar na conquista do inédito ouro olímpico e nas seleções nacionais. É bem verdade que o momento é melhor para as meninas, que estrearam com vitória e garantiram a classificação ainda no segundo jogo.

A coletividade no futebol apresentado por elas é marcante e as ações ofensivas mostram um time mais rápido do que o de costume para a esta seleção, criticada no cenário do futebol feminino exatamente pela lentidão no toque de bola e na transição da defesa para o ataque, e vice-versa. Tudo isso serve para deixar bem claro: Elas amadureceram!

Se as meninas vivem o paraíso, o selecionado de Neymar e companhia despertou a ira do torcedor nos empates sem gols contra África do Sul e Iraque. O time só encontrou o bom futebol e o caminho para o gol com uma mudança tática fundamental: Renato Augusto deixou de ser o responsável por armar as jogadas pelo meio do setor ofensivo e Neymar retornou para a posição.

A mudança surtiu efeitos e o Brasil enxergou bem o espaço nas costas do lateral, pelo setor esquerdo de ataque, o que definiu o placar do jogo. Todos os quatro gols do time na partida saíram de jogadas iniciadas ou concluídas nessa região da área dinamarquesa.
É óbvio que não existe fórmula para o sucesso e definir o lugar dos dois times nas finais é algo prematuro e infantil. Até chegar na disputa por medalhas, a seleção feminina, por exemplo, terá pela frente a Austrália que as eliminou do último mundial, ano passado, no Canadá. As meninas seguem engasgadas e o fator psicológico pode ser determinante para um deslize ou para a glória.

Já o time masculino enfrenta um desafio interessante.  Não que a Colômbia apresente uma qualidade técnica e disposição tática superior, mas o time é bem mais ofensivo e veloz do que os adversários do Brasil até o momento, o que dá ao jogo um caráter ainda mais imprevisível do que o costumeiro, para o futebol.

Apesar dos resultados que possam surgir é importante que saibamos reconhecer que temos times para torcer; e temos dois. É inevitável que a credibilidade do futebol feminino seja superior ao masculino, mas ambos podem fazer história e precisam do incentivo do torcedor. O caminho para o ouro começa agora. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Entre tapas e beijos
Seleção brasileira enfrenta o Iraque nas Olimpíadas e decepciona mais uma vez o torcedor


Em mais uma tentativa de recuperar o apoio do torcedor brasileiro, a seleção de futebol masculina enfrentou o Iraque na noite de ontem (7), no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mas o que devia ser a redenção do time comandado por Neymar, acabou se tornando um agravante na briga entre torcida e seleção após o empate sem gols.

Apesar de dominar a posse de bola durante o jogo (69% contra 31% dos iraquianos), a seleção errou incontáveis passes, finalizou mal e ainda teve que lidar com as vaias vindas das arquibancadas. Renato Augusto foi o alvo principal da fúria do torcedor. O volante não jogou bem e errou vários passes, além de perder uma chance clara de gol, aos 47 minutos do segundo tempo.

Por falar em gols perdidos, o time finalizou 20 vezes durante a partida, mas só seis foram em direção ao gol defendido por Hameed. Já o time iraquiano finalizou apenas seis vezes, mas deu trabalho ao goleiro Weverton em quatro delas. O número de faltas também foi alto. O Brasil cometeu 16 e o Iraque 17 infrações, o que fez o árbitro distribuir oito cartões amarelos durante o jogo, sendo três para a seleção da casa e cinco para os adversários.

Com o empate no placar, Brasil e Iraque empatam também em número de pontos, dois para cada. Agora o Brasil enfrenta uma situação delicada na competição. A equipe de Rogério Micale precisa vencer a seleção da Dinamarca, líder do grupo com quatro pontos e ainda torcer para que o Iraque não vença a África do Sul, lanterna do grupo com um ponto.

Crônica
É impossível estabelecer uma definição para as partidas da seleção masculina que não seja a de reconciliação amorosa. A seleção liga, parece que quer voltar, marca o jantar e o torcedor se anima. Mas na hora marcada eles descobrem a verdade: não são mais um para o outro. A seleção tem um temperamento difícil e nem as mudanças em suas escalações conseguem trazer uma estabilidade emocional.

Por outro lado, o torcedor sofre calado. Segue trabalhando, estudando, enfim, segue vivendo. Até se arrisca em outros amores, mas os campeonatos de clubes ficam só como um paliativo e também sofrem bastante por saberem que não são os preferidos. Os torcedores continuam desejando a seleção brasileira de volta, apesar de negar.

Essa relação não é fácil, as brigas sempre foram algo comum. E quando se fala em olimpíadas por exemplo, o coração do torcedor palpita mais forte; que decepção. Eles até se acertaram e viveram bons momentos, mas isso foi entre 2002 e 2006, fazem 10 anos, e aliás, foi uma francesa quem destruiu o amor. Desde então o torcedor tentou, mas só teve seu coração quebrado.

O momento é ruim e essa seleção é muito cruel. Nem mesmo a substituição de seus mentores fez a coisa melhorar. O problema não era tão restrito a Dunga como pensávamos, apesar de esse ser o responsável por boa parte dos motivos deste distanciamento entre os dois amores. Dessa vez, por exemplo, a seleção apareceu apática, fria, parecia mais preocupada em se mostrar, em ganhar o torcedor apenas pela própria existência, sem mais nada a oferecer.

Todos nós sabemos que um relacionamento saudável é baseado em uma troca mútua e essa seleção segue se mostrando egoísta. Cada um de seus jogadores apresentaram uma falta de entrosamento inacreditável. No setor ofensivo parecia que havia um desfile para escolher o melhor jogador pelo nome, drible, ou finalização mais bonitos. Houve pouca coletividade. Não existiu qualquer piscadela ou toque de mãos com o torcedor, que esperava ansiosamente pelo toque da amada.


O torcedor saiu esgotado de mais esse encontro e é impossível saber o que vai acontecer a partir de agora. É provável que vá buscar conselhos em outros esportes olímpicos e depois se jogue nos braços do campeonato brasileiro e da copa do brasil –o torcedor também é cafajeste- antes de tentar novamente reatar esse relacionamento abusivo. Já a fria seleção, terá que sentar no divã e contar tudo que lhe aflige. Parece, inclusive, que já tem horário marcado com o psicólogo, Dr. Tite. Só nos resta esperar o que vai sair dessa novela pois um precisa do outro como o futebol precisa de paixão e isso a seleção perdeu, enquanto o torcedor ainda transborda. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Partida de ouro
Seleção feminina apresenta um futebol convincente e marca 3 gols sobre a China, na estreia




As olímpiadas já começaram para o futebol feminino. Há três dias da abertura oficial dos jogos a seleção brasileira fez bonito: goleou a China e deu o primeiro passo rumo ao lugar mais alto do pódio. Em uma tarde inspirada, a seleção dominou as adversárias e impôs o ritmo de jogo, a recompensa foi o placar de 3 a 0 para as donas da casa.

A China tentou defender com todas as jogadoras, mas foi o Brasil quem abriu o placar. Aos 34 minutos, Monica aproveitou o bate rebate na área e cabeceou no canto esquerdo da goleira Zhao Lina. O primeiro gol mostrava a superioridade amarela durante toda a partida. A seleção brasileira não parava de atacar e deu trabalho para as zagueiras do time asiático.

O segundo gol veio após o intervalo. Logo aos 13 minutos do segundo tempo, Marta recebeu a bola em profundidade e viu Andressa Alves que empurrou para a rede. O segundo gol não esfriou a seleção e Marta fez bela jogada aos 20 minutos do segundo tempo. Ela driblou duas adversárias e chutou no canto direito da goleira chinesa que foi ágil e mandou para fora.

A conta só foi fechada no final da partida, mais precisamente aos 40 minutos do segundo tempo. Andressinha cobrou falta e Cristiane subiu mais alto que toda a defesa adversária para marcar o seu gol. Estava consolidada a vitória da seleção brasileira. Um resultado para conquistar a confiança do torcedor e consolidar o início da trajetória rumo ao ouro olímpico.

Líder do grupo E, com 2 gols a mais que a Suécia, a seleção brasileira vai enfrentar justamente a seleção do país nórdico, no Engenhão, neste sábado (6). As próximas adversárias do Brasil venceram a seleção da África do Sul por 1 a 0 na estreia. Já as chinesas enfrentam as africanas, também no Engenhão, no mesmo dia de Brasil x Suécia.

Crônica

O jogo começou com a China tentando marcar a saída de bola brasileira, mas a tentativa das visitantes encontrou pela frente um Brasil tranquilo, que tocou bola até conseguir impor o ritmo do jogo. Logo aos três minutos de jogo, Formiga faz bela jogada no meio campo e toca para Cristiane chutar de fora da área, mas a goleira Zhao Lina segurou firme.

Mesmo sem chegar ao gol adversário com frequência a seleção brasileira tocava a bola e ameaçava a defesa chinesa. Aos 14 minutos da primeira etapa, após cruzamento de Tamires, Cristiane chuta de voleio, mas Zhao estava esperta e botou a bola para escanteio.

A pressão brasileira só aumentava. Fabiana roubou a bola, arrancou pelo setor direito do ataque e tocou para Cristiane, ela girou e chutou mascado, nas mãos da goleira. Depois foi a vez de Beatriz arrancar do meio campo e driblar uma das zagueiras para chutar de perna esquerda para fora do gol. À essa altura no jogo o gol brasileiro parecia inevitável.

E ele quase veio quando Marta bateu o escanteio e Cristiane finalizou da pequena área tirando da goleira, mas tirou o primeiro gol da atacante brasileira. A China defendia com as 11 jogadoras atrás da linha da bola, mesmo assim estava fácil chegar ao gol e após um escanteio, aos 34 minutos, Monica cabeceou tirando da goleira. Era o primeiro gol brasileiro nas olimpíadas.

Na primeira etapa, a goleira Bárbara só foi acionada aos 45 minutos, quando Fabiana recuou mal e encontrou a companheira saindo da meta. A arqueira não conseguiu segurar e a bola seguiu rolando majestosamente ao que parecia ser um gol contra, mas a tormenta acabou quando ela resolveu sair pela linha de fundo.

O primeiro tempo chegava ao fim com um domínio absoluto da seleção da casa. Jogando no Engenhão, as meninas do Brasil terminaram a primeira etapa com uma posse de bola de 65%. Além disso, ainda finalizaram 12 vezes e cobraram seis escanteios, sendo um exatamente o que gerou o gol.

Marta brilha na segunda etapa

O segundo tempo começou com um Brasil mais tranquilo. Marta passou a jogar pelo setor direito do ataque e abriu espaço na defesa chinesa. Tanto que, logo aos 3 minutos, Fabiana acertou um belo chute, mas a goleira Zhao Lina mandou para escanteio. As brasileiras voltaram com um ritmo ainda muito intenso, para azar das adversárias.

Cristiane passou a buscar ainda mais o gol. A atacante do Paris Saint-Germain recebeu um cruzamento na área e subiu para cabecear para fora. O segundo gol estava mais perto e ele veio logo aos 13 minutos da segunda etapa. Andressinha viu a passagem de Marta pela direita e acionou a camisa 10, ela entrou na área e tocou para Andressa Alves que não perdoou e ampliou o placar, Brasil 2 x 0 China.

Além de ter que lidar com uma Cristiane sedenta pelo gol, a zaga chinesa precisava controlar Marta. A camisa 10 passou a gostar ainda mais do jogo, e driblou duas marcadoras antes de bater no canto da goleira Zhao Lina que se esticou e mandou para escanteio, aos 20 minutos do segundo tempo. O Brasil novamente apresentava maior volume de jogo, era avassalador, enquanto a China continuava recuada, esperando o contra-ataque que nunca chegava.

Até os 30 minutos da segunda etapa o Brasil já tinha cobrado 15 escanteios e de um deles saiu mais uma jogada perigosa. Após a cobrança de Andressinha, Cristiane tentou chutar para o gol, mas foi bloqueada pela goleira chinesa. A bola subiu e permaneceu viva na área, até ser isolada pela defesa. Cristiane seguia buscando seu gol.

A conta foi fechada aos 40 minutos do segundo tempo. Em uma jogada na intermediária esquerda, Wu Haiyan deu um carrinho sem bola em Andressa Alves. A falta que parecia despretensiosa se transformou no, tão procurado, gol de Cristiane. Após a cobrança de Andressinha, a atacante subiu mais alto que as zagueiras e marcou o terceiro gol brasileiro.


O resultado coloca a equipe dona da casa na liderança do grupo. Apesar da importância de somar pontos nessa primeira fase, a vitória da seleção brasileira serve para trazer mais confiança e tranquilidade ao time, convencendo o torcedor de que estão prontas para conseguir o ouro. 
Vale o Brasil
Sorteio definiu os confrontos das oitavas de finais da Copa do Brasil e Palmeiras é o maior desafio do Botafogo-PB na temporada. Analisamos o momento das duas equipes.




O Botafogo-PB conheceu na última terça-feira (2) o adversário e a sequência de jogos da Copa do Brasil. O time de João Pessoa vai enfrentar o Palmeiras pelas oitavas de finais da competição e terá o trunfo de jogar a partida de volta em casa, diante de sua torcida. O Belo viaja no dia 24 de agosto e recebe o Palmeiras, no Almeidão, no dia 21 de setembro.

Na última partida pela copa nacional, diante do Ceará, mais de 10 mil torcedores empurraram o time e viram de perto o Belo atropelar o Vovô e carimbar a passagem para a sequência da competição. Por isso o fato de decidir o duelo em casa pode ser importante para os planos do Botafogo-PB, em seguir firme na Copa do Brasil.

Apesar de ter perdido os últimos dois jogos que disputou e consequentemente a liderança do brasileirão, o Palmeiras está firme no G4 do campeonato e terá muito tempo para avaliar os erros e retomar as vitórias, quatro rodadas no total; até encontrar o belo pela Copa do Brasil.

Defesa que ninguém passa

O trecho do hino do verdão, nunca falou tanto sobre um adversário. O time do Botafogo-PB ainda não perdeu jogando em casa. Nas oito partidas que disputou até agora, em competições nacionais, o Belo venceu sete e empatou uma, justamente pela Copa do Brasil, mas na primeira fase, frente ao Linense, em partida que definiu a classificação do time da estrela vermelha na disputa de pênaltis.

A preocupação do torcedor são os resultados fora do Almeidão. O Belo empatou três e perdeu outras três partidas das seis em que jogou como visitante, na série C.  Mas apesar do péssimo retrospecto fora de casa, o time conquistou resultados importantes na copa nacional, através de empates contra o Linense e Ceará, além da vitória diante do River, no Piauí. Segurar o Palmeiras no Allianz Park é tarefa dura, mas não impossível para o time paraibano.

A partida contra o Verdão é sem dúvida o maior desafio do Botafogo-PB até o momento, nesta temporada. O time de João Pessoa fez a lição de casa em todos os jogos da Copa do Brasil, mas não havia convencido o torcedor até a sonora vitória por 3 a 0 contra o Ceará, que trouxe mais confiança no time. Mesmo assim, as boas atuações da defesa do alvinegro contrastam com a fase desagradável no ataque palestrino.

Turbulência no Palmeiras

O que pode tranquilizar o torcedor pessoense é que Fernando Prass não retorna ao time titular até lá. Destaque no time alviverde, o arqueiro fraturou o cotovelo direito enquanto se preparava junto com a seleção olímpica. Cortado da lista do treinador Rogério Micale, Prass deixou a seleção olímpica, passou por uma cirurgia na quarta feira (3) e provavelmente não joga mais nessa temporada.

Mas o problema em relação a Fernando Prass não é o único que preocupa o técnico Cuca e os torcedores. O atacante Alecsandro foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por 2 anos após ter sido flagrado no exame anti dopping. Os advogados do atacante prometem recorrer da decisão em uma tentativa de abrandar a pena, apesar disso, é quase certo que o atleta não entre em campo por um longo período de tempo, ficando de fora, obviamente, do confronto diante do Botafogo-PB.

Como se não bastasse, durante a semana a imprensa inglesa noticiou a compra do atacante Gabriel Jesus pelo Manchester City pela quantia de R$ 124,4 milhões. Embora a venda do atleta não seja um problema, já que o time alviverde vai poder contar com Gabriel até dezembro, o desgaste sofrido nos jogos olímpicos pode ser. O jovem atacante é titular no time que luta pelo ouro inédito para o Brasil e caso chegue até a final, terá apenas 4 dias para se reintegrar ao Palmeiras e jogar contra o Belo; é impossível cravar, mas até então Gabriel Jesus está fora do confronto.

Outro problema é que nas derrotas para o Atlético-MG em casa e para o Botafogo-RJ o time sentiu a falta do atacante da seleção olímpica. Apesar da negativa por parte do elenco, as duas derrotas sofridas pelo time aconteceram exatamente durante a ausência de Gabriel, peça fundamental no esquema ofensivo do técnico Cuca.

Além disso, Vagner, o substituto de Fernando Prass, estreou mal contra o Botafogo-RJ. O jovem goleiro estava mal posicionado no primeiro gol e foi o autor do pênalti que deu a vitória para o time carioca. Embora contestado nesse primeiro momento, Vagner pode se apoiar na história de outros goleiros palmeirenses que se deram bem após lesões dos titulares, como Diego Cavalieri e Bruno; atualmente no Fluminense e Fort Launderdale Strikers, respectivamente.

Outra preocupação do técnico Cuca deve ser o posicionamento de Zé Roberto. Jogando de lateral o meia, ex seleção brasileira, não vem rendendo bem e cede espaço para os ataques. Aparentemente o baixo rendimento de Zé Roberto está relacionado ao posicionamento questionável do atleta que, embora já tenha atuado como ala, agora deve dar maior atenção para a marcação no setor defensivo. Mesmo aos 42 anos e com muita experiência, o jogador atuou a maior parte da sua carreira como volante, sagrando-se campeão paulista pelo Santos como meia atacante, em 2007.

O time palmeirense enfrenta a Chapecoense na Arena Condá, nesta quinta feira (4) e para compensar a maré de azar, terá o retorno de Tchê Tchê, suspenso na rodada passada. Embora o momento do Palmeiras não seja ruim na tabela do campeonato brasileiro, o fator psicológico em torno do futuro, preocupa o torcedor do porco e favorece o Botafogo-PB para o confronto do dia 24 de agosto.

Representantes do Nordeste

Fortaleza e Botafogo-PB são os dois representantes da região na Copa do Brasil. Após a eliminação do Santa Cruz pelo Vasco, do Ceará pelo próprio Belo e do Paysandu pelo Juventude, o norte e nordeste do país ficou representado por dois times da terceira divisão nacional.

O Leão do Picí, como é conhecida a equipe do Fortaleza, foi campeão estadual no início da temporada e é atualmente o líder do grupo A da série C do campeonato brasileiro; grupo que conta inclusive com o Botafogo-PB, segundo colocado. O tricolor perdeu apenas duas das 11 partidas disputadas até o momento.


O Fortaleza eliminou o Flamengo na segunda fase da copa nacional e o América-MG na terceira fase, ambos na elite do futebol brasileiro. Enquanto o Belo se prepara para tomar a liderança do grupo na série C e encarar o Palmeiras pela Copa do Brasil, a missão do tricolor cearense é despachar o Internacional e manter a qualidade do futebol que trouxe a boa fase à equipe.