quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Emily Lima assume o comando da seleção feminina
Treinadora faz história como primeira mulher a dirigir a time nacional e espera participar ativamente da fase de mudanças no futebol feminino brasileiro




Na manhã desta quinta-feira (3) a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou oficialmente a técnica do São José, Emily Lima, como a nova treinadora da seleção de futebol feminino. Apesar de jovem, 34 anos apenas, a treinadora já teve experiência à frente da seleção. Em 2013, ela comandou as seleções femininas sub- 15 e sub-17. Recentemente dirigiu o São José, onde foi vice-campeã do Brasileirão feminino em 2015 e da Copa do Brasil desse ano.

Emily foi anunciada como treinadora da seleção logo após a demissão do técnico Vadão, nesta terça-feira (1). O treinador estava no comando do time brasileiro desde 2014, quando conquistou o Torneio Internacional de Futebol Feminino de Manaus, feito que repetiu no ano seguinte. Ele ainda conquistou a medalha de ouro no pan-americano de Toronto, ainda em 2015, e apesar do desempenho abaixo do esperado nos jogos do Rio 2016, foi indicado como candidato a melhor treinador do ano pela Fifa.

Primeira mulher na história do Brasil a treinar uma seleção principal, Emily garantiu a permanência das jogadoras Marta e Cristiane no projeto para a renovação da seleção. “Desejo muito que Marta e Cristiane continuem no projeto da seleção. Acredito muito nas meninas mais novas, mas precisamos nos renovar com cautela”, disse a treinadora durante a apresentação.

Emily jogou em times como São Paulo e Santos, antes de ser transferida para a Europa, em 2001. No velho continente, atuou sete anos na Espanha e um na Itália, quando jogou no Napoli, clube onde encerrou a carreira. Em 2011, integrou-se à comissão técnica da Portuguesa e no mesmo ano foi contratada como treinadora pelo Juventus-SP.

O primeiro desafio da comandante é no Torneio Internacional de Manaus, que acontece em dezembro, na capital Amazonense.

Opinião

Emily Lima é mais que um sopro (um vendaval) de modernidade nos campos do Brasil. Mesmo que ainda não tenha definido um modelo de jogo, é provável que adote a tradicional defesa em linha e ataque com três jogadoras, favorecendo o estilo de jogo ofensivo; a cara dela. Mas a representação de moderno que descrevo aqui não se trata do que acontece dentro das linhas de jogo e sim o que vem de fora: Emily é um “xô” ao preconceito.

Embora não se sinta à vontade (e nem deveria) de tomar para si a responsabilidade de abrir caminhos para outras mulheres, a simples presença dela o faz. Devemos reconhecer que a participação delas no comando de equipes esportivas é muito restrita, portanto, só em deixar a figuração e assumir o posto máximo da comissão técnica de futebol feminino representa uma significativa mudança no esporte nacional.

Em entrevista ao site Trivela.com, a agora comandante da seleção feminina falou sobre o desinteresse das atletas em seguirem no futebol, mesmo depois das aposentadorias. Para ela, o baixo investimento financeiro na modalidade faz com quem as atletas se dediquem à estudos em outras áreas, sendo cada vez mais afastadas do futebol.

“Essas meninas trabalham por 12, 14 anos, algumas até mais, com todas as dificuldades que o futebol feminino tem. E depois ela ainda vai querer continuar nesse meio, sendo que pode estudar paralelamente, fazer faculdade e buscar sua vida em outra coisa? Então eu acho que é um pouco das duas coisas. A falta de incentivo das federações e da CBF em capacitar as treinadoras, as ex-atletas em si, e o desinteresse também. É 50% de cada um”, contou a treinadora.

E esse parece ser o legado de Emily no comando da seleção: auxiliar o desenvolvimento de profissionais mulheres para o futebol. Tanto que, em suas entrevistas como técnica do time feminino ela deixou claro o interesse em estar próxima do técnico da seleção masculina, Tite. Ela espera aproveitar da vasta experiência do treinador para alavancar o futebol feminino.

“Uma das perguntas que fiz ao presidente foi se eu poderia trocar ideias com o Tite. Eu já vinha pensando nisso, eu gostaria de estagiar com ele no Corinthians, mas não pude na época. Hoje, mais próxima, eu espero que isso aconteça, pois vai engrandecer muito meu trabalho. Admiro demais o Tite como pessoa e como profissional”, contou a treinadora durante a coletiva de apresentação.

Por isso a missão dela é bem maior que simplesmente conquistar títulos. Para aumentar um pouco mais a pressão, o primeiro desafio de Emily poderia ser mais simples, não fosse o resultado de Vadão na competição. O antigo treinador deixa o bicampeonato no torneio como legado e isso pode gerar algumas situações embaraçosas nesse primeiro momento da treinadora no comando da equipe.

Ainda na entrevista ao Trivela.com, a treinadora foi firme ao avaliar a diferença no tratamento dado aos treinadores homens em relação às mulheres.  “O homem não precisa provar que é capaz de ser técnico, a gente precisa a cada dia”, desabafou.



De fato, a jovem treinadora que possui apenas cinco anos de carreira não tem a obrigação de provar nada a ninguém. Caso entenda isso antes do Torneio Internacional ela pode começar a mostrar a força do seu trabalho ainda em Manaus, dois meses após assumir o cargo de treinadora. Mas mesmo as pessoas mais tranquilas sentem a pressão e a força da comparação, isso sem falar no preconceito que recai sobre seus ombros e o peso de representar todas as mulheres brasileiras no futebol.

Porém, é natural que essa nuvem negativa pouse sobre a cabeça da técnica da seleção pelo menos nesse primeiro momento e aí entra a hora de ter paciência. Não restam dúvidas da capacidade e do potencial de alguém que rompeu barreiras para fazer sua competência ser reconhecida. Emily é hoje o que o futebol precisa, masculino e feminino, o novo, e como treinadora do São José mostrou-se preparada para estar à beira do gramado.

Ainda dia 1 de novembro, data do anúncio do nome de Emily Lima como treinadora da seleção, a CBF anunciou uma série de mudanças para o campeonato brasileiro da modalidade ainda para 2017, a principal delas foi a distribuição das equipes em duas divisões e um calendário mais extenso. Além disso, a Confederação Sul Americana de Futebol (Conmebol), determinou que a partir de 2018, manter equipes femininas será requisito para os times masculinos classificados para a Libertadores da América. A ideia é realizar o torneio masculino e feminino no mesmo período.


O futebol feminino passa a ser enxergado como um negócio promissor, ganha regularidade, acabando com a dúvida quanto à realização do campeonato nacional. Se a treinadora é símbolo da luta da mulher por espaço, só elas poderão dizer. Mas podemos afirmar que o futebol feminino enxerga dias melhores e voa para o futuro sob o comando delas. Comparecer aos jogos é, mais do que nunca, obrigação. Conquistar títulos é um mero detalhe. A única conquista que queremos é que as meninas boleiras do Brasil possam viver daquilo que gostam: o futebol. Já seria bom demais.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Efeito Copa do Nordeste
Raposa vai à caça na tentativa de montar time competitivo para 2017



Dois dias após o sorteio que definiu os grupos para a disputa da Copa do Nordeste 2017, realizado na noite desta terça feira (4), os times paraibanos iniciaram o planejamento para a competição. Ainda ontem (5), o presidente do Campinense, Willian Simões anunciou que o clube rubro negro está em negociações com o meia Marcelinho Paraíba.

Marcelinho iniciou a vitoriosa carreira no Campinense e depois teve passagens por clubes do Brasil e do exterior (como Herta Berlim e Wolfsburg, da Alemanha), chegando inclusive a usar a camisa da seleção brasileira. Atualmente com 41 anos, o meia estava no Ypiranga-RS, onde disputou a série C do campeonato brasileiro. Mas os planos do time de Campina Grande esbarram na pedida salarial do atleta que, de acordo com o dirigente, está longe dos padrões do clube.

Campinense e Marcelinho já negociaram valores em 2014, mas não chegaram a um acerto na época. De acordo com Willian Simões, a contratação do jogador é prioridade para a próxima temporada, para isso ele espera contar com parceiros que paguem parte do salário do veterano meio campo.

Na mira da raposa

Além das negociações com o meia famoso, a diretoria da raposa está atrás de um técnico. De acordo com o dirigente, o alvo da vez já treinou times do Nordeste e o negócio poderá ser fechado já na próxima segunda feira (10), mas o nome deve ser mantido em segredo já que o futuro treinador ainda está em atividade, no comando de algum time do campeonato brasileiro. Além disso, o gerente de futebol do clube, Luciano Mancha, garantiu o retorno de Roger Gaúcho, emprestado ao CRB desde a eliminação da raposa na série D, para integrar o elenco de 2017.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sorteio definiu adversários de paraibanos na Copa do Nordeste 2017
Campinense terá a missão de segurar o atual campeão e Botafogo-PB vai encarar América-RN e Vitória



Na noite desta terça feira (4), o torcedor nordestino assistiu ao sorteio que definiu os grupos da Copa do Nordeste 2017. O evento aconteceu em João Pessoa e foi apresentado ao vivo para todo o Brasil pelo Esporte Interativo, empresa dona dos direitos de transmissão do torneio, diante da imprensa local e regional, além dos cartolas do futebol nordestino.

Os dois representantes da paraíba terão caminhos bem diferentes na Copa do Nordeste 2017. O Botafogo-PB compôs o grupo E, junto com o Sergipe, Vitória e América-RN. Já o Campinense ficou no grupo A, junto com Santa Cruz e Náutico, que ainda possui uma vaga em aberto, deixada pelo Uniclinic, representante do estado do Ceará.




Noite de premiação

Junto com a plateia estavam os atacantes do Santa Cruz, Keno e Grafite, os dois foram premiados pelo desempenho na edição desse ano como revelação e craque do campeonato, respectivamente. Outro que também recebeu prêmio foi o atacante do Campinense, Rodrigão. O jogador não compareceu à cerimônia, mas em vídeo, agradeceu ao clube rubro negro e aos torcedores pelo título de artilheiro da competição.

Ainda no sorteio o diretor de competições da CBF, Manoel Flores, anunciou oficialmente o pedido de desistência do Uniclinic. O time cearense foi o vice-campeão estadual de 2016 e, portanto, classificado para o Nordestão, mas alegou problemas financeiros e terá o pedido de desistência analisado pelo órgão que administra o futebol nacional.




Opinião

Apesar da indefinição da última vaga do grupo A, já é possível enxergar um caminho mais rochoso para o Campinense que para o Botafogo-PB, não por considerar os adversários do time da capital mais fáceis que os do rubro negro, mas por reconhecer os momentos distintos que separam os dois clubes.

Enquanto o Belo vive um romance com a torcida e principalmente com a bola, o time de Campina Grande vem de declínio e desclassificação. É bem verdade que o desempenho na Copa do Nordeste e o título paraibano ainda permitam o torcedor de acreditar, mas quando fechou os olhos deu de cara com o algoz do torneio dessa edição.

Apesar do momento do Santa Cruz ser de declínio no campeonato brasileiro, jogadores que foram cruciais para o atual título do time pernambucano ainda possuem contratos vigentes e dificilmente haverá muitas percas para a próxima temporada. Já o Campinense terá que montar um elenco e embarcar rumo ao desconhecido. Desprezando a pré-temporada, o Santa chega com a base do elenco de dois anos atrás enquanto o Rubro negro chega mais verde, precisando de ajustes. Talvez embale venha mesmo no paraibano, com chances de bicampeonato.

Outro problema para o Campinense é o crescente momento do Náutico na série B. O Timbu já enxerga o G4 e o acesso, tudo isso em uma campanha relâmpago depois da chegada do comandante, Givanildo Oliveira. O rei do acesso, venceu quatro jogos seguidos e já soma seis partidas invicto no comando do Náutico. É provável que ainda sofra algumas derrotas até que a equipe vermelha e branca se estabilize na tabela. Talvez o Náutico fique de fora da série A em 2017, mas esse momento serve de moldura para exibir uma equipe forte que, provavelmente, será repetida na próxima temporada. Olho neles, raposa.

Já o Belo enfrentará o Sergipe, time que apesar de sagrar-se campeão estadual não conseguiu subir para a série D e terá que se classificar novamente para o brasileiro através do estadual. O clube sergipano pode surpreender na próxima temporada, apresentando um time tão forte quanto o de 2016, mas é possível que à essa altura o Botafogo-PB esteja reforçado e preparando-se para uma temporada difícil, seja na novíssima experiência da série B ou na missão de reconquistar o torcedor por não ter chegado à segunda divisão nacional. Esse confronto não deve ter surpresas, o Belo chega mais forte.

Por outro lado, nessa temporada, o América-RN tirou a invencibilidade do Belo jogando no Almeidão. Até enfrentar o dragão, o clube da estrela vermelha ainda não havia perdido jogando em João Pessoa por competições nacionais (série C e Copa do Brasil). Além disso, o América-RN está devendo o acesso à série B a seu torcedor, além do título estadual, conquistado esse ano pelo rival ABC. Portanto, podemos esperar um América-RN mordido, mas possivelmente, ainda em fase de desenvolvimento. Enxergo o Belo vitorioso, graças à continuidade do trabalho desenvolvido nessa temporada, associado à permanência de peças importantes no elenco.

Por fim, o grande pesadelo do Bota-PB deve ser mesmo o time do Vitória. O rubro negro baiano segue firme na primeira divisão e deverá contar com os atacantes Kieza e Zé Love, pelo menos até o fim dos estaduais. O time paraibano pode encontrar nessa partida a maior dificuldade da fase de grupos, já que esse duelo poderá definir os dois combatentes que seguirão firmes na competição.


Pode acontecer o que previ ou exatamente ao contrário, o fato é que a sorte está lançada e o time com o melhor planejamento certamente irá levar a competição e consequentemente, a vaga na Copa Sulamericana. Só nos resta torcer para que os representantes da Paraíba encantem e possam conquistar o direito de defender as cores do estado diante de forças do futebol da América do Sul. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

João Pessoa é o palco da primeira decisão na série C
Botafogo-PB enfrenta o BOA Esporte no Almeidão para se aproximar da série B 2017, já os mineiros sonham em voltar para a segunda divisão nacional depois de série de fracassos


(Foto: Vitor Oliveira / Vozdatorcida.com)

Na noite desta sexta-feira, o coração do torcedor do belo vai bater mais forte por, pelo menos 90 minutos. A primeira partida das quartas de finais da série C começa ás 21 hrs, no Almeidão, contra o Boa Esporte, adversário que tenta amargar o sonho de acesso do Belo rumo à série B do brasileirão em 2017. O time mineiro foi o segundo colocado no grupo B da série C, com apenas 3 derrotas, duas a menos que o time da estrela vermelha.

A partida causa ansiedade no torcedor desde seu anúncio, após o empate em 0 a 0 contra o Fortaleza, que confirmou a terceira colocação do time no grupo A. Entre a partida que credenciou o Bota-PB a disputar a segunda fase e o confronto com o Boa, o time enfrentou um grande desafio. Os comandados de Itamar Schurlle, mediram forças com o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Mesmo vencendo, o time paraibano foi eliminado pelos paulistas. Nada que abale a confiança do torcedor, já que o Belo nunca havia chegado tão longe na competição, além disso o resultado de 1 a 0 para os donos da casa garantiram a invencibilidade do time jogando em suas dependências. [confere análise que fizemos sobre esse confronto]

Por isso, quando a bola rolar hoje, o Botafogo-PB estará fazendo história novamente, em um ano repleto de novidades para a equipe. Desde o título brasileiro da série D, em 2013, o time nunca havia chegado à segunda fase da série C.

Canto pelo acesso

(Foto: Hévilla Wanderley / Globoesporte.com/pb)
Durante o último treino da equipe para enfrentar o Boa Esporte a torcida paraibana invadiu o Almeidão para incentivar o time. Mas os fanáticos do Belo só tiveram acesso às arquibancadas nos 20 minutos finais. O técnico Itamar Schurlle fez mistério sobre o time, imprensa e torcedores só acompanharam um treino de finalização e cobrança de pênaltis. O treinador também não concedeu entrevista coletiva.

Os números animam o torcedor a ir ao estádio. Jogando no Almeidão o Botafogo-PB perdeu apenas uma partida, contra o América-RN pela 15ª rodada da fase de grupos. No mais, das 12 partidas que disputou até agora em competições nacionais, o Belo venceu nove e empatou duas, uma ainda na primeira fase da Copa do Brasil, diante do Linense e a outra na última rodada da fase de grupos da série C, diante do Fortaleza.

O maior reforço para essa partida deve vir mesmo das arquibancadas. Até o momento, já foram vendidos mais de 10 mil ingressos e a diretoria espera que 22 mil torcedores compareçam ao Almeida Filho para o confronto. O número de ingressos vendidos antecipadamente é mais uma novidade conquistada pelo Belo no ano.

BOA motivação

Se os torcedores do belo pretendem fazer muito barulho nas arquibancadas, a torcida do time mineiro vai mandar energias positivas para o time desde Varginha. Ainda hoje, a diretoria anunciou que vai disponibilizar um telão, no centro da cidade mineira para que os torcedores acompanhem a partida decisiva de logo mais. E se de um lado está um Botafogo-PB descobrindo-se, do outro existe um BOA amargurado pelos seguidos rebaixamentos, mas embalado pela fase na série C.

O primeiro descenso do time veio ainda em 2015, na série B daquele ano. Na ocasião, a equipe ficou na 19ª colocação, com apenas 7 vitórias nos 38 jogos disputados. O segundo revés mineiro veio logo no começo de 2016, no campeonato estadual. O time entrou em campo na última rodada precisando vencer o time reserva do Cruzeiro para escapar do rebaixamento, mas o clube perdeu o duelo e a oportunidade de permanecer na primeira divisão estadual, foi rebaixado diante de sua torcida.

(Foto: Régis Melo / Globoesporte.com)
Mas toda tristeza terminou por aí, na série C desse ano o torcedor não tem do que se queixar. Foram 10 vitórias, nos 18 jogos disputados na competição nacional, e apenas três derrotas, uma a mais que o líder do grupo A da competição, o Guarani. Os resultados positivos no ano trouxeram de volta a motivação que o BOA precisava e agora o Botafogo-PB tornou-se o único obstáculo entre o time de varginha e o tão sonhado retorno à série B.

Além da ótima fase, o time mineiro vem de uma série de 10 jogos sem perder na série C, um aproveitamento de 80%, somando 24 pontos em 30 disputados. Outro fator que deixa o torcedor ainda mais confiante é que a decisão do confronto diante do Belo será em Varginha, no estádio Melão, e jogando em casa o BOA está invicto desde o início do campeonato nacional.

Como se não bastasse, os mineiros ainda possuem a melhor defesa entre os dois grupos da série C, tanto que nos 18 jogos disputados, a zaga do BOA foi vazada em apenas 10 ocasiões. O ataque também não fica por baixo, foram 28 gols marcados. Os destaques ficam por conta de Ricardinho, Genesis e Daniel Cruz, juntos eles somam 30 gols nessa temporada.

Nosso segredo

Mesmo com o mistério nos treinos, é possível definir o time pode vai subir as escadas para o gramado, logo mais. A provável escalação deverá contar com o retorno do artilheiro Rodrigo Silva, que esteve fora na partida contra o Palmeiras, assim como o meia Marcinho, recuperado das dores no tornozelo, que o afastaram dos dois últimos compromissos da equipe. O único desfalque deve ficar por conta do volante Sapé, que sente dores no joelho.

Prováveis escalações (FONTE: vozdatorcida.com):

Botafogo-PB: Michel Alves, Gustavo, Plínio, Marcelo Xavier, David Luís; Djavan, Val, Pedro Castro, Marcinho; Carlinhos, Rodrigo Silva. Técnico: Itamar Schulle.

Boa Esporte: Daniel, Juan Melgarejo, Edson Borges, Bruno Maia, Romano; Leonardo, Itaqui, Fellipe Mateus, Tchô; Carlos Renato, Ricardinho. Técnico: Ney da Matta.


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O futebol que não podemos esquecer
Série de reportagens conta como o esporte do povo foi utilizado para fortalecer o domínio da ditadura militar na América do Sul



Durante 21 anos, a ditadura militar manchou a história do Brasil de sangue e autoritarismo. O presidente João Goulart foi deposto e em seu lugar o interventor general Castelo Branco assumiu o poder, em 1964. Mas apesar de ser datado em 1º de abril, a opressão promovida pelo regime militar foi bem verdadeira, para a tristeza da democracia e de milhares de brasileiros.

Com o objetivo de garantir a soberania de um governo ilegítimo, os aparelhos do Estado foram utilizados para reprimir com veemência todos aqueles que se opusessem publicamente ao golpe, tornando qualquer opositor um inimigo do país. As decisões infundadas dos militares eram legitimadas através de Atos Institucionais, responsáveis inclusive, pela desintegração do Congresso Nacional. Mas o regime ditatorial não se fez presente apenas no Brasil; Argentina, Chile e Uruguai também atravessaram o que conhecemos como os “Anos de Chumbo”.

Através de um acordo de cooperação estabelecido entre os governos ditatoriais e a Agência de Inteligência Estadunidense (Central Intelligence Agency - CIA), iniciou-se a Operação Condor; aliança criada com o intuito de combater o crescimento das ideias de esquerda nos países do cone sul, a qualquer preço. É impossível calcular quantas vidas foram retiradas pelos ditadores no período em que a Operação Condor esteve em vigor. O silêncio era lei.

Com o fim dos regimes e o início da contabilidade dos prejuízos que os ditadores deixaram nas sociedades sul americanas, o futebol entrou na conta. Era impossível segurar as bocas esbravejando “o regime tirou proveito da seleção brasileira de 70” para engrandecer o domínio militar. Consequentemente, na Argentina, a Copa de 1978 foi marcada por histórias polêmicas e a vitória, ainda mais controversa, dos donos da casa. No Uruguai, o fiasco do Mundialito em 1980 acelerou o processo de redemocratização, alimentado pelo povo em festa que invadiu o gramado do estádio Centenário, em Montevidéu, pedindo o fim da ditadura militar.

Algumas dessas histórias foram contadas na série de reportagens “Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor”, dos canais ESPN. Em quatro capítulos, a série apresenta a relação da ditadura com o futebol durante os anos de repressão e como isso ajudou ou prejudicou o regime militar nesses países. Nos links abaixo, você será direcionado para os episódios.

Memórias do Chumbo - O futebol nos tempos do Condor

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Faltou o gol
Mesmo superiores em campo, seleção brasileira não balança as redes da Suécia e dá adeus ao sonho olímpico



Na tarde dessa terça feira (16), a seleção feminina de futebol do Brasil enfrentou a Suécia, no Maracanã, para a segunda partida da fase de mata-mata nos jogos olímpicos. Mas o que tinha de tudo para ser uma repetição da sonora goleada na primeira fase, terminou em tragédia e eliminação da seleção dona da casa.

O Brasil jogou melhor e atacou mais que as adversárias, mas encontrou pela frente uma Suécia diferente daquela da primeira fase, bem mais organizada, assumindo a postura defensiva.  O time brasileiro não conseguiu tirar o zero do placar, perdeu o jogo na decisão por pênaltis e pôs fim ao sonho do ouro inédito no Rio.

As duas linhas defensivas das nórdicas, bem próximas da área, dificultaram a criação de jogadas no setor ofensivo do Brasil, mas mesmo assim o time manteve o domínio do jogo, controlando toda a ofensividade da partida e terminando o tempo regulamentar com 33 finalizações e o 65% de posse de bola, já as suecas chegaram apenas 6 vezes ao gol defendido pela goleira Bárbara.

Visivelmente desgastadas pelo jogo duro contra a Austrália no último sábado, pelas quartas de finais, a seleção ainda sentia a ausência da maior artilheira dos jogos olímpicos: Cristiane. A camisa 11 do Brasil entrou em campo no fim da segunda etapa da prorrogação, mas nem ela conseguiria resolver o problema da falta de gols. Coincidentemente o jejum de gols teve início após a lesão e, consequentemente, o afastamento da atacante.

Esta foi a terceira partida seguida que o time brasileiro não conseguiu balançar as redes, o último gol tinha acontecido exatamente na partida contra a Suécia, ainda na primeira fase. Agora o Brasil aguarda a seleção perdedora no duelo entre Canadá X Alemanha, que acontece no Mineirão, para definir a adversária na disputa do bronze. Já a Suécia, garante a medalha de prata e se prepara para a grande final, que acontece na próxima sexta feira (17), no Maracanã.

Crônica

Me perdoem a ausência de palavras, essa foi uma tarde difícil de explicar. A seleção brasileira tinha o melhor time e novamente dominava a partida, como tinha feito até o momento na competição. Foram 33 finalizações, 10 no gol da goleira Lindahl. Parecia uma vitória inevitável, daqueles jogos que o time só encontra o caminho depois do primeiro gol. O problema é que o primeiro gol não veio!

Formiga foi valente. Jogou, lutou, discutiu e, no fim do jogo, machucou o posterior da coxa. Não tem mais nada para provar, já foi gigante. Em todos os jogos do Brasil, a veterana foi gigante em campo, aparecia em todos os cantos, desprezando o apelido que virou nome. Falando em ser gigante, Cristiane entrou em campo com uma proteção na coxa, ainda sem velocidade, sentindo um pouco a lesão sofrida. Superou os próprios limites e tentou deixar o seu no final do segundo tempo da prorrogação.

Sobrou vontade, faltou o espaço. O time da Suécia assumiu uma postura defensiva, um ferrolho quase intransponível. Era a estratégia da treinadora; foi assim que chegaram na segunda fase, mesmo depois da goleada por 5 a 1 contra o Brasil, da mesma forma elas venceram os Estados Unidos. Aliás, precisamos pedir desculpas a Hope Solo: a falastrona tinha razão. O time da Suécia assumiu uma postura covarde para sobreviver.Também é hora de tirar o chapéu para a própria seleção nórdica, que reconheceu sua inferioridade técnica e apelou para a obediência tática.

Não deve haver aqui o choro de perdedor. Mesmo que às vezes esse discurso pareça ser vago e carregar com ele as desculpas de quem tenta defender o indefensável, o futebol feminino superou novamente todos os limites impostos a elas pela gestão sexista e gananciosa do esporte nacional. Embora as suecas ainda não possuam equivalência salarial em relação aos jogadores homens, lá a diferença dos valores recebidos é menor do que nessas terras tupiniquins.


Nossas meninas já são de ouro, essa medalha não prova nada! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Aponta pro ouro e vai

Chega ao fim a primeira fase do futebol no rio 2016 e seleções masculina e feminina seguem vivas na competição em busca do inédito ouro olímpico.





A fase de grupos no futebol dos jogos olímpicos Rio 2016 chegou ao fim ontem (10) e definiu os classificados e eliminados para a sequência da competição. Sobre os times do Brasil, o feminino foi o primeiro a garantir a passagem para as quartas de finais. A classificação veio logo após a segunda vitória, diante da Suécia, por 5 a 1, no sábado (6). Os resultados positivos da seleção feminina nas duas primeiras rodadas fizeram com que o time enfrentasse a África do Sul, com o direito de classificar mesmo com um empate.

A partida contra as africanas, lanternas do grupo E da competição, que aconteceu nesta terça-feira (9), foi marcada exatamente pela calma de quem estava guardando forças para a próxima fase da competição. O resultado de 0 a 0, garantiu o Brasil na primeira posição do grupo e definiu a Austrália, terceira colocada no grupo F, como próxima adversária do time comandado por Vadão.

Ao contrário das meninas do Brasil, o futebol masculino chegou à última rodada desacreditado e torcendo para que o calor do clima e do povo nordestino ajudasse na classificação que começava a se distanciar. O jogo contra a Dinamarca, equipe líder do grupo com quatro pontos, marcou o reencontro do time com o bom futebol. O a seleção brasileira venceu por 4 a 0 e garantiu a vaga na próxima fase com a própria Dinamarca ficando com a segunda vaga.

Agora as duas seleções voltam a campo ainda essa semana para definir a sequência do torneio. A primeira será a seleção feminina que enfrenta a Austrália no Mineirão, amanhã (12) ás 22h. Já neste sábado (13), é dia da seleção masculina mostrar serviço contra a Colômbia, na Arena Corinthians, em São Paulo, também às 22h. O Brasil nunca conquistou o ouro olímpico no futebol feminino ou masculino.

Opinião

 

O reencontro do time masculino com o bom futebol e a confiança no selecionado feminino levam o torcedor a acreditar na conquista do inédito ouro olímpico e nas seleções nacionais. É bem verdade que o momento é melhor para as meninas, que estrearam com vitória e garantiram a classificação ainda no segundo jogo.

A coletividade no futebol apresentado por elas é marcante e as ações ofensivas mostram um time mais rápido do que o de costume para a esta seleção, criticada no cenário do futebol feminino exatamente pela lentidão no toque de bola e na transição da defesa para o ataque, e vice-versa. Tudo isso serve para deixar bem claro: Elas amadureceram!

Se as meninas vivem o paraíso, o selecionado de Neymar e companhia despertou a ira do torcedor nos empates sem gols contra África do Sul e Iraque. O time só encontrou o bom futebol e o caminho para o gol com uma mudança tática fundamental: Renato Augusto deixou de ser o responsável por armar as jogadas pelo meio do setor ofensivo e Neymar retornou para a posição.

A mudança surtiu efeitos e o Brasil enxergou bem o espaço nas costas do lateral, pelo setor esquerdo de ataque, o que definiu o placar do jogo. Todos os quatro gols do time na partida saíram de jogadas iniciadas ou concluídas nessa região da área dinamarquesa.
É óbvio que não existe fórmula para o sucesso e definir o lugar dos dois times nas finais é algo prematuro e infantil. Até chegar na disputa por medalhas, a seleção feminina, por exemplo, terá pela frente a Austrália que as eliminou do último mundial, ano passado, no Canadá. As meninas seguem engasgadas e o fator psicológico pode ser determinante para um deslize ou para a glória.

Já o time masculino enfrenta um desafio interessante.  Não que a Colômbia apresente uma qualidade técnica e disposição tática superior, mas o time é bem mais ofensivo e veloz do que os adversários do Brasil até o momento, o que dá ao jogo um caráter ainda mais imprevisível do que o costumeiro, para o futebol.

Apesar dos resultados que possam surgir é importante que saibamos reconhecer que temos times para torcer; e temos dois. É inevitável que a credibilidade do futebol feminino seja superior ao masculino, mas ambos podem fazer história e precisam do incentivo do torcedor. O caminho para o ouro começa agora. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Entre tapas e beijos
Seleção brasileira enfrenta o Iraque nas Olimpíadas e decepciona mais uma vez o torcedor


Em mais uma tentativa de recuperar o apoio do torcedor brasileiro, a seleção de futebol masculina enfrentou o Iraque na noite de ontem (7), no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mas o que devia ser a redenção do time comandado por Neymar, acabou se tornando um agravante na briga entre torcida e seleção após o empate sem gols.

Apesar de dominar a posse de bola durante o jogo (69% contra 31% dos iraquianos), a seleção errou incontáveis passes, finalizou mal e ainda teve que lidar com as vaias vindas das arquibancadas. Renato Augusto foi o alvo principal da fúria do torcedor. O volante não jogou bem e errou vários passes, além de perder uma chance clara de gol, aos 47 minutos do segundo tempo.

Por falar em gols perdidos, o time finalizou 20 vezes durante a partida, mas só seis foram em direção ao gol defendido por Hameed. Já o time iraquiano finalizou apenas seis vezes, mas deu trabalho ao goleiro Weverton em quatro delas. O número de faltas também foi alto. O Brasil cometeu 16 e o Iraque 17 infrações, o que fez o árbitro distribuir oito cartões amarelos durante o jogo, sendo três para a seleção da casa e cinco para os adversários.

Com o empate no placar, Brasil e Iraque empatam também em número de pontos, dois para cada. Agora o Brasil enfrenta uma situação delicada na competição. A equipe de Rogério Micale precisa vencer a seleção da Dinamarca, líder do grupo com quatro pontos e ainda torcer para que o Iraque não vença a África do Sul, lanterna do grupo com um ponto.

Crônica
É impossível estabelecer uma definição para as partidas da seleção masculina que não seja a de reconciliação amorosa. A seleção liga, parece que quer voltar, marca o jantar e o torcedor se anima. Mas na hora marcada eles descobrem a verdade: não são mais um para o outro. A seleção tem um temperamento difícil e nem as mudanças em suas escalações conseguem trazer uma estabilidade emocional.

Por outro lado, o torcedor sofre calado. Segue trabalhando, estudando, enfim, segue vivendo. Até se arrisca em outros amores, mas os campeonatos de clubes ficam só como um paliativo e também sofrem bastante por saberem que não são os preferidos. Os torcedores continuam desejando a seleção brasileira de volta, apesar de negar.

Essa relação não é fácil, as brigas sempre foram algo comum. E quando se fala em olimpíadas por exemplo, o coração do torcedor palpita mais forte; que decepção. Eles até se acertaram e viveram bons momentos, mas isso foi entre 2002 e 2006, fazem 10 anos, e aliás, foi uma francesa quem destruiu o amor. Desde então o torcedor tentou, mas só teve seu coração quebrado.

O momento é ruim e essa seleção é muito cruel. Nem mesmo a substituição de seus mentores fez a coisa melhorar. O problema não era tão restrito a Dunga como pensávamos, apesar de esse ser o responsável por boa parte dos motivos deste distanciamento entre os dois amores. Dessa vez, por exemplo, a seleção apareceu apática, fria, parecia mais preocupada em se mostrar, em ganhar o torcedor apenas pela própria existência, sem mais nada a oferecer.

Todos nós sabemos que um relacionamento saudável é baseado em uma troca mútua e essa seleção segue se mostrando egoísta. Cada um de seus jogadores apresentaram uma falta de entrosamento inacreditável. No setor ofensivo parecia que havia um desfile para escolher o melhor jogador pelo nome, drible, ou finalização mais bonitos. Houve pouca coletividade. Não existiu qualquer piscadela ou toque de mãos com o torcedor, que esperava ansiosamente pelo toque da amada.


O torcedor saiu esgotado de mais esse encontro e é impossível saber o que vai acontecer a partir de agora. É provável que vá buscar conselhos em outros esportes olímpicos e depois se jogue nos braços do campeonato brasileiro e da copa do brasil –o torcedor também é cafajeste- antes de tentar novamente reatar esse relacionamento abusivo. Já a fria seleção, terá que sentar no divã e contar tudo que lhe aflige. Parece, inclusive, que já tem horário marcado com o psicólogo, Dr. Tite. Só nos resta esperar o que vai sair dessa novela pois um precisa do outro como o futebol precisa de paixão e isso a seleção perdeu, enquanto o torcedor ainda transborda. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Partida de ouro
Seleção feminina apresenta um futebol convincente e marca 3 gols sobre a China, na estreia




As olímpiadas já começaram para o futebol feminino. Há três dias da abertura oficial dos jogos a seleção brasileira fez bonito: goleou a China e deu o primeiro passo rumo ao lugar mais alto do pódio. Em uma tarde inspirada, a seleção dominou as adversárias e impôs o ritmo de jogo, a recompensa foi o placar de 3 a 0 para as donas da casa.

A China tentou defender com todas as jogadoras, mas foi o Brasil quem abriu o placar. Aos 34 minutos, Monica aproveitou o bate rebate na área e cabeceou no canto esquerdo da goleira Zhao Lina. O primeiro gol mostrava a superioridade amarela durante toda a partida. A seleção brasileira não parava de atacar e deu trabalho para as zagueiras do time asiático.

O segundo gol veio após o intervalo. Logo aos 13 minutos do segundo tempo, Marta recebeu a bola em profundidade e viu Andressa Alves que empurrou para a rede. O segundo gol não esfriou a seleção e Marta fez bela jogada aos 20 minutos do segundo tempo. Ela driblou duas adversárias e chutou no canto direito da goleira chinesa que foi ágil e mandou para fora.

A conta só foi fechada no final da partida, mais precisamente aos 40 minutos do segundo tempo. Andressinha cobrou falta e Cristiane subiu mais alto que toda a defesa adversária para marcar o seu gol. Estava consolidada a vitória da seleção brasileira. Um resultado para conquistar a confiança do torcedor e consolidar o início da trajetória rumo ao ouro olímpico.

Líder do grupo E, com 2 gols a mais que a Suécia, a seleção brasileira vai enfrentar justamente a seleção do país nórdico, no Engenhão, neste sábado (6). As próximas adversárias do Brasil venceram a seleção da África do Sul por 1 a 0 na estreia. Já as chinesas enfrentam as africanas, também no Engenhão, no mesmo dia de Brasil x Suécia.

Crônica

O jogo começou com a China tentando marcar a saída de bola brasileira, mas a tentativa das visitantes encontrou pela frente um Brasil tranquilo, que tocou bola até conseguir impor o ritmo do jogo. Logo aos três minutos de jogo, Formiga faz bela jogada no meio campo e toca para Cristiane chutar de fora da área, mas a goleira Zhao Lina segurou firme.

Mesmo sem chegar ao gol adversário com frequência a seleção brasileira tocava a bola e ameaçava a defesa chinesa. Aos 14 minutos da primeira etapa, após cruzamento de Tamires, Cristiane chuta de voleio, mas Zhao estava esperta e botou a bola para escanteio.

A pressão brasileira só aumentava. Fabiana roubou a bola, arrancou pelo setor direito do ataque e tocou para Cristiane, ela girou e chutou mascado, nas mãos da goleira. Depois foi a vez de Beatriz arrancar do meio campo e driblar uma das zagueiras para chutar de perna esquerda para fora do gol. À essa altura no jogo o gol brasileiro parecia inevitável.

E ele quase veio quando Marta bateu o escanteio e Cristiane finalizou da pequena área tirando da goleira, mas tirou o primeiro gol da atacante brasileira. A China defendia com as 11 jogadoras atrás da linha da bola, mesmo assim estava fácil chegar ao gol e após um escanteio, aos 34 minutos, Monica cabeceou tirando da goleira. Era o primeiro gol brasileiro nas olimpíadas.

Na primeira etapa, a goleira Bárbara só foi acionada aos 45 minutos, quando Fabiana recuou mal e encontrou a companheira saindo da meta. A arqueira não conseguiu segurar e a bola seguiu rolando majestosamente ao que parecia ser um gol contra, mas a tormenta acabou quando ela resolveu sair pela linha de fundo.

O primeiro tempo chegava ao fim com um domínio absoluto da seleção da casa. Jogando no Engenhão, as meninas do Brasil terminaram a primeira etapa com uma posse de bola de 65%. Além disso, ainda finalizaram 12 vezes e cobraram seis escanteios, sendo um exatamente o que gerou o gol.

Marta brilha na segunda etapa

O segundo tempo começou com um Brasil mais tranquilo. Marta passou a jogar pelo setor direito do ataque e abriu espaço na defesa chinesa. Tanto que, logo aos 3 minutos, Fabiana acertou um belo chute, mas a goleira Zhao Lina mandou para escanteio. As brasileiras voltaram com um ritmo ainda muito intenso, para azar das adversárias.

Cristiane passou a buscar ainda mais o gol. A atacante do Paris Saint-Germain recebeu um cruzamento na área e subiu para cabecear para fora. O segundo gol estava mais perto e ele veio logo aos 13 minutos da segunda etapa. Andressinha viu a passagem de Marta pela direita e acionou a camisa 10, ela entrou na área e tocou para Andressa Alves que não perdoou e ampliou o placar, Brasil 2 x 0 China.

Além de ter que lidar com uma Cristiane sedenta pelo gol, a zaga chinesa precisava controlar Marta. A camisa 10 passou a gostar ainda mais do jogo, e driblou duas marcadoras antes de bater no canto da goleira Zhao Lina que se esticou e mandou para escanteio, aos 20 minutos do segundo tempo. O Brasil novamente apresentava maior volume de jogo, era avassalador, enquanto a China continuava recuada, esperando o contra-ataque que nunca chegava.

Até os 30 minutos da segunda etapa o Brasil já tinha cobrado 15 escanteios e de um deles saiu mais uma jogada perigosa. Após a cobrança de Andressinha, Cristiane tentou chutar para o gol, mas foi bloqueada pela goleira chinesa. A bola subiu e permaneceu viva na área, até ser isolada pela defesa. Cristiane seguia buscando seu gol.

A conta foi fechada aos 40 minutos do segundo tempo. Em uma jogada na intermediária esquerda, Wu Haiyan deu um carrinho sem bola em Andressa Alves. A falta que parecia despretensiosa se transformou no, tão procurado, gol de Cristiane. Após a cobrança de Andressinha, a atacante subiu mais alto que as zagueiras e marcou o terceiro gol brasileiro.


O resultado coloca a equipe dona da casa na liderança do grupo. Apesar da importância de somar pontos nessa primeira fase, a vitória da seleção brasileira serve para trazer mais confiança e tranquilidade ao time, convencendo o torcedor de que estão prontas para conseguir o ouro. 
Vale o Brasil
Sorteio definiu os confrontos das oitavas de finais da Copa do Brasil e Palmeiras é o maior desafio do Botafogo-PB na temporada. Analisamos o momento das duas equipes.




O Botafogo-PB conheceu na última terça-feira (2) o adversário e a sequência de jogos da Copa do Brasil. O time de João Pessoa vai enfrentar o Palmeiras pelas oitavas de finais da competição e terá o trunfo de jogar a partida de volta em casa, diante de sua torcida. O Belo viaja no dia 24 de agosto e recebe o Palmeiras, no Almeidão, no dia 21 de setembro.

Na última partida pela copa nacional, diante do Ceará, mais de 10 mil torcedores empurraram o time e viram de perto o Belo atropelar o Vovô e carimbar a passagem para a sequência da competição. Por isso o fato de decidir o duelo em casa pode ser importante para os planos do Botafogo-PB, em seguir firme na Copa do Brasil.

Apesar de ter perdido os últimos dois jogos que disputou e consequentemente a liderança do brasileirão, o Palmeiras está firme no G4 do campeonato e terá muito tempo para avaliar os erros e retomar as vitórias, quatro rodadas no total; até encontrar o belo pela Copa do Brasil.

Defesa que ninguém passa

O trecho do hino do verdão, nunca falou tanto sobre um adversário. O time do Botafogo-PB ainda não perdeu jogando em casa. Nas oito partidas que disputou até agora, em competições nacionais, o Belo venceu sete e empatou uma, justamente pela Copa do Brasil, mas na primeira fase, frente ao Linense, em partida que definiu a classificação do time da estrela vermelha na disputa de pênaltis.

A preocupação do torcedor são os resultados fora do Almeidão. O Belo empatou três e perdeu outras três partidas das seis em que jogou como visitante, na série C.  Mas apesar do péssimo retrospecto fora de casa, o time conquistou resultados importantes na copa nacional, através de empates contra o Linense e Ceará, além da vitória diante do River, no Piauí. Segurar o Palmeiras no Allianz Park é tarefa dura, mas não impossível para o time paraibano.

A partida contra o Verdão é sem dúvida o maior desafio do Botafogo-PB até o momento, nesta temporada. O time de João Pessoa fez a lição de casa em todos os jogos da Copa do Brasil, mas não havia convencido o torcedor até a sonora vitória por 3 a 0 contra o Ceará, que trouxe mais confiança no time. Mesmo assim, as boas atuações da defesa do alvinegro contrastam com a fase desagradável no ataque palestrino.

Turbulência no Palmeiras

O que pode tranquilizar o torcedor pessoense é que Fernando Prass não retorna ao time titular até lá. Destaque no time alviverde, o arqueiro fraturou o cotovelo direito enquanto se preparava junto com a seleção olímpica. Cortado da lista do treinador Rogério Micale, Prass deixou a seleção olímpica, passou por uma cirurgia na quarta feira (3) e provavelmente não joga mais nessa temporada.

Mas o problema em relação a Fernando Prass não é o único que preocupa o técnico Cuca e os torcedores. O atacante Alecsandro foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por 2 anos após ter sido flagrado no exame anti dopping. Os advogados do atacante prometem recorrer da decisão em uma tentativa de abrandar a pena, apesar disso, é quase certo que o atleta não entre em campo por um longo período de tempo, ficando de fora, obviamente, do confronto diante do Botafogo-PB.

Como se não bastasse, durante a semana a imprensa inglesa noticiou a compra do atacante Gabriel Jesus pelo Manchester City pela quantia de R$ 124,4 milhões. Embora a venda do atleta não seja um problema, já que o time alviverde vai poder contar com Gabriel até dezembro, o desgaste sofrido nos jogos olímpicos pode ser. O jovem atacante é titular no time que luta pelo ouro inédito para o Brasil e caso chegue até a final, terá apenas 4 dias para se reintegrar ao Palmeiras e jogar contra o Belo; é impossível cravar, mas até então Gabriel Jesus está fora do confronto.

Outro problema é que nas derrotas para o Atlético-MG em casa e para o Botafogo-RJ o time sentiu a falta do atacante da seleção olímpica. Apesar da negativa por parte do elenco, as duas derrotas sofridas pelo time aconteceram exatamente durante a ausência de Gabriel, peça fundamental no esquema ofensivo do técnico Cuca.

Além disso, Vagner, o substituto de Fernando Prass, estreou mal contra o Botafogo-RJ. O jovem goleiro estava mal posicionado no primeiro gol e foi o autor do pênalti que deu a vitória para o time carioca. Embora contestado nesse primeiro momento, Vagner pode se apoiar na história de outros goleiros palmeirenses que se deram bem após lesões dos titulares, como Diego Cavalieri e Bruno; atualmente no Fluminense e Fort Launderdale Strikers, respectivamente.

Outra preocupação do técnico Cuca deve ser o posicionamento de Zé Roberto. Jogando de lateral o meia, ex seleção brasileira, não vem rendendo bem e cede espaço para os ataques. Aparentemente o baixo rendimento de Zé Roberto está relacionado ao posicionamento questionável do atleta que, embora já tenha atuado como ala, agora deve dar maior atenção para a marcação no setor defensivo. Mesmo aos 42 anos e com muita experiência, o jogador atuou a maior parte da sua carreira como volante, sagrando-se campeão paulista pelo Santos como meia atacante, em 2007.

O time palmeirense enfrenta a Chapecoense na Arena Condá, nesta quinta feira (4) e para compensar a maré de azar, terá o retorno de Tchê Tchê, suspenso na rodada passada. Embora o momento do Palmeiras não seja ruim na tabela do campeonato brasileiro, o fator psicológico em torno do futuro, preocupa o torcedor do porco e favorece o Botafogo-PB para o confronto do dia 24 de agosto.

Representantes do Nordeste

Fortaleza e Botafogo-PB são os dois representantes da região na Copa do Brasil. Após a eliminação do Santa Cruz pelo Vasco, do Ceará pelo próprio Belo e do Paysandu pelo Juventude, o norte e nordeste do país ficou representado por dois times da terceira divisão nacional.

O Leão do Picí, como é conhecida a equipe do Fortaleza, foi campeão estadual no início da temporada e é atualmente o líder do grupo A da série C do campeonato brasileiro; grupo que conta inclusive com o Botafogo-PB, segundo colocado. O tricolor perdeu apenas duas das 11 partidas disputadas até o momento.


O Fortaleza eliminou o Flamengo na segunda fase da copa nacional e o América-MG na terceira fase, ambos na elite do futebol brasileiro. Enquanto o Belo se prepara para tomar a liderança do grupo na série C e encarar o Palmeiras pela Copa do Brasil, a missão do tricolor cearense é despachar o Internacional e manter a qualidade do futebol que trouxe a boa fase à equipe.